Drones russos invadem países da OTAN e atingem usina após ataque recorde contra a Ucrânia

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A tensão na fronteira leste da Europa atingiu um novo patamar na manhã desta quarta-feira, quando Estônia e Letônia, países membros da OTAN, confirmaram a entrada de drones russos em seus territórios. O incidente ocorre imediatamente após uma das ofensivas aéreas mais agressivas de Moscou contra a Ucrânia desde o início da invasão em larga escala. Na Estônia, o Serviço de Segurança Interna reportou que um dispositivo cruzou a fronteira e colidiu contra a chaminé de uma usina elétrica. Simultaneamente, as forças armadas da Letônia registraram a queda de outra aeronave não tripulada em solo nacional, embora sem causar danos materiais ou vítimas.

Essas violações não são casos isolados, mas refletem um padrão crescente de ousadia militar por parte do Kremlin. Durante o ano de 2025, os membros da aliança transatlântica contabilizaram 18 incursões russas em seus espaços aéreos, um salto alarmante em comparação ao ano anterior, quando o número foi três vezes menor. Diante desse cenário, o presidente ucraniano Volodymyr Zelenskyy reforçou seu alerta de que a ofensiva de Vladimir Putin não se restringe à Ucrânia, classificando os episódios como uma escalada direta contra a estabilidade de toda a Europa e instando os aliados a fortalecerem seus sistemas de defesa.

Ofensiva massiva e impacto na fronteira

O avanço sobre o território da OTAN aconteceu poucas horas após um bombardeio de proporções históricas. Segundo a Força Aérea Ucraniana, a Rússia lançou quase 1.000 drones contra o país vizinho a partir da noite de segunda-feira. O ápice do ataque ocorreu na tarde de terça-feira, com mais de 550 drones direcionados majoritariamente para as regiões ocidentais da Ucrânia, áreas estrategicamente próximas às fronteiras internacionais. Em Lviv, a apenas 64 quilômetros da Polônia, um drone Shahed de fabricação iraniana atingiu um edifício histórico ao lado de uma igreja, enquanto outro impacto em um prédio residencial deixou pelo menos 22 feridos.

A destruição também alcançou infraestruturas sensíveis, como uma maternidade na cidade de Ivano-Frankivsk, gerando condenação internacional imediata. O ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Andrii Sybiha, comparou a tática russa às operações realizadas pelo Irã no Golfo Pérsico, apontando para uma estratégia coordenada de ataque a alvos civis. A proximidade geográfica dessas explosões com os limites da OTAN aumenta o temor de um envolvimento direto da aliança, à medida que os destroços da guerra começam a cair, literalmente, no quintal das potências ocidentais.

Igor do Vale/Estadão Conteúdo

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