Dinamarca nega acordo com Trump e envia unidades de elite para a Groenlândia em meio à preparação da ilha para crise

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Em um movimento que sinaliza o aumento das tensões geopolíticas no Extremo Norte, a Dinamarca enviou unidades de elite das forças especiais Jaegerkorpset para a costa de Blosseville, uma das regiões mais extremas e inóspitas da Groenlândia. A operação, confirmada pelo Comando Ártico Dinamarquês, marca a primeira vez que esses especialistas atuam na área sob condições climáticas brutais, visando garantir a presença do Estado onde o gelo e as tempestades dificultam qualquer atividade humana.

Paralelamente à movimentação em terra, a fragata Peter Willemoes participa de exercícios multinacionais, enquanto forças francesas e dinamarquesas realizam treinamentos conjuntos no Atlântico Norte para consolidar a defesa da região.

Preparação civil e o guia de sobrevivência em Nuuk

Enquanto militares ocupam postos estratégicos, as autoridades da Groenlândia lançaram uma diretriz inédita de preparação para a população civil. O governo local recomendou que os residentes estoquem água, alimentos e medicamentos para pelo menos cinco dias, além de manterem armas de caça e equipamentos de pesca prontamente disponíveis.

Embora o Ministro da Autossuficiência, Peter Borg, tenha enfatizado que não há uma ameaça imediata, ele destacou que o planejamento responsável é vital para que os cidadãos possam se autogerenciar em possíveis crises, permitindo que o governo concentre seus recursos em emergências mais graves.

O impasse diplomático com Donald Trump e as “linhas vermelhas”

A situação tornou-se mais complexa após declarações do presidente dos EUA, Donald Trump, sobre um suposto acordo “quadro” que envolveria a Groenlândia, discutido com o secretário-geral da OTAN, Mark Rutte, em Davos. Trump mencionou interesses em direitos minerários e na implementação de seu sistema de defesa antimíssil “Golden Dome”, o que gerou imediata reação em Copenhague.

A primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, foi enfática ao reafirmar as “linhas vermelhas” do país, declarando que não haverá qualquer concessão de soberania territorial aos Estados Unidos e sublinhando que a OTAN não tem autoridade para negociar o destino da ilha em nome do Reino da Dinamarca.

Divergências em Davos e o fantasma da soberania limitada

Relatos desencontrados alimentam a incerteza nos bastidores diplomáticos. Enquanto o New York Times sugere que o acordo poderia ser inspirado no modelo Reino Unido-Chipre — onde bases militares são consideradas território soberano do país que as opera —, Mark Rutte negou que o tema da soberania ou dos minerais tenha sido pautado na reunião com Trump. No entanto, o presidente americano insiste na complexidade do pacto. Líderes da União Europeia foram convocados para uma reunião de emergência em Bruxelas para avaliar os detalhes da proposta, que parece caminhar entre o reforço da segurança coletiva da OTAN e pretensões bilaterais mais agressivas por parte de Washington.

Especialistas em direito internacional recordam que o Acordo de Defesa de 1951 já garante aos Estados Unidos um acesso extremamente amplo à Groenlândia, permitindo que operem livremente na base de Pituffik para monitoramento de mísseis. Contudo, juristas reforçam que esse tratado original é fundamentado explicitamente no respeito à soberania dinamarquesa. O desafio atual reside em como Washington pretende atualizar esses termos: se por meio de uma cooperação militar intensificada no início de 2026, como sugere a OTAN, ou se por meio de uma pressão por jurisdição territorial que Copenhague promete resistir até o fim.

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