Dinamarca avisa a Trump que “não cederá um milímetro” da Groelândia e impõe impasse nas negociações

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O ministro das Relações Exteriores da Dinamarca, Lars Lokke Rasmussen, reagiu de forma diplomática, porém cautelosa, às recentes declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a Groenlândia. Embora tenha recebido positivamente a garantia de que o governo americano não utilizaria força militar para assumir o controle da ilha, Rasmussen alertou que as ambições de Washington em relação ao território permanecem latentes.

Para o chanceler dinamarquês, o reconhecimento da não agressão é um passo importante, mas não altera a realidade de que a Dinamarca se mantém firme na proteção de sua integridade territorial e da autonomia do povo groenlandês.

Soberania e o respeito à ordem internacional de 2026

Rasmussen reiterou que a postura dinamarquesa é fundamentada nos princípios de autodeterminação e soberania nacional, pilares da ordem internacional estabelecida após a Segunda Guerra Mundial. O ministro enfatizou que, em pleno ano de 2026, as normas jurídicas globais exigem o respeito absoluto à liberdade dos povos e que Copenhague não pretende abandonar esses fundamentos em nenhuma mesa de negociação.

Segundo o diplomata, embora o diálogo com os Estados Unidos seja contínuo, a Dinamarca não cederá “um milímetro” em questões que envolvam a entrega do território, rejeitando qualquer tentativa de Trump de tratar a Groenlândia como um ativo negociável.

Negociações de alto nível e os limites diplomáticos

Apesar das tensões, os canais de comunicação entre as duas nações permanecem abertos. Rasmussen confirmou que o país está cumprindo os acordos firmados e que discussões de alto nível foram iniciadas após encontros em Washington com o vice-presidente americano, JD Vance, e o secretário de Estado, Marco Rubio.

O objetivo dessas conversas é abordar as preocupações estratégicas dos Estados Unidos na região ártica, mas o ministro fez questão de sublinhar que existe um teto claro para essas concessões. Para a Dinamarca, as negociações devem ocorrer dentro de limites preestabelecidos que não comprometam a soberania dinamarquesa sobre a ilha.

O fator OTAN e a estratégia de Donald Trump

Em um desdobramento que gerou desconforto diplomático, Donald Trump minimizou o papel de Rasmussen na condução do tema, afirmando que prefere tratar a questão diretamente com o Secretário-Geral da OTAN, Mark Rutte. O presidente americano classificou Rutte como uma figura “mais importante” no tabuleiro geopolítico atual e indicou que uma reunião recente entre os dois foi extremamente produtiva.

Segundo Trump, foi estabelecido um arcabouço para um futuro acordo que envolveria não apenas a Groenlândia, mas toda a região estratégica do Ártico, o que, em sua visão, traria benefícios mútuos para os EUA e para todos os membros da aliança militar.

Alívio nas tarifas e a perspectiva para o Ártico

Como um sinal de que as conversas com a liderança da OTAN surtiram efeito imediato, o presidente Trump anunciou a decisão de não implementar as tarifas comerciais que estavam previstas para entrar em vigor em 1º de fevereiro. O gesto é visto como uma tentativa de suavizar o clima de negociação e atrair as nações europeias para o seu plano de expansão de influência no Ártico.

Enquanto o governo americano aposta em uma solução que envolva a OTAN para garantir seus interesses, a Dinamarca observa o movimento com vigilância, reforçando que qualquer solução definitiva para a região deve, obrigatoriamente, passar pelo consentimento de Copenhague e pelas regras do direito internacional.

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