Diesel em alta: caminhoneiros realizam assembleia nesta tarde para definir greve nacional
O Sindicato dos Caminhoneiros da Baixada Santista (Sindicam) sedia, na tarde desta quinta-feira, uma assembleia decisiva que deve selar o futuro do transporte de cargas no país. Lideranças da categoria se reúnem para votar a deflagração de uma greve geral nos próximos dias, motivada, principalmente, pela escalada nos preços do óleo diesel e pela insatisfação com as condições de trabalho.
O impacto da crise internacional no combustível
O principal combustível do movimento é o aumento expressivo de 18,86% no valor do diesel desde o final de fevereiro. Este cenário é reflexo direto das tensões geopolíticas envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, que desestabilizaram o mercado global de energia. O barril de petróleo do tipo Brent, referência internacional, saltou de US$ 72,48 para US$ 103,42 no período, representando uma alta de 42,7% que pressiona os custos operacionais dos transportadores brasileiros.
Estratégia de mobilização e adesão
Diferente de paralisações anteriores, a orientação atual de associações como a Abrava e o Sindicam é que os motoristas evitem o bloqueio de rodovias para escapar de multas pesadas. A recomendação é que os profissionais permaneçam em casa ou estacionados em postos de combustíveis. Enquanto isso, a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transportes e Logística (CNTTL) aguarda o desfecho da assembleia das 16h para oficializar seu apoio, reforçando que seguirá a decisão soberana da maioria.
A ofensiva do Governo Federal para conter a crise
Em uma tentativa de esvaziar o movimento grevista, o ministro dos Transportes, Renan Filho, anunciou medidas rigorosas contra o descumprimento do piso mínimo do frete. A ANTT intensificará a fiscalização para cobrir 100% das operações, prevendo sanções severas para embarcadores e transportadoras que não respeitarem a tabela. Paralelamente, o Palácio do Planalto já zerou alíquotas de PIS e Cofins sobre o diesel e agora pressiona os governos estaduais pela redução do ICMS sobre o combustível importado.
No campo regulatório, a ANP e a Polícia Federal atuam conjuntamente para investigar preços abusivos e crimes contra o consumidor nos postos de combustíveis. Contudo, as lideranças da categoria acreditam que as medidas fiscais são insuficientes. Carlos Alberto Litti Dahmer, diretor da CNTTL, destaca que os caminhoneiros chegaram ao limite e defende soluções mais profundas, como o retorno da Petrobras ao setor de distribuição, visando uma regulação mais eficaz dos preços no mercado interno.