Desconfiança no STF chega a nível recorde entre os brasileiros, aponta pesquisa

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O Poder Judiciário brasileiro enfrenta um momento crítico de credibilidade, com a desconfiança no Supremo Tribunal Federal (STF) alcançando o patamar mais elevado desde o início da série histórica do Datafolha, em 2012. Segundo o levantamento divulgado nesta quarta-feira, 43% dos brasileiros declaram não confiar na Corte, um salto em relação aos 38% registrados na pesquisa de dezembro de 2024. Paralelamente, o índice daqueles que afirmam confiar “muito” no tribunal recuou drasticamente de 24% para 16%, espelhando cenários de baixa popularidade observados em momentos de turbulência política anteriores.

Deterioração da avaliação e perfis de Insatisfação

A desaprovação ao desempenho dos ministros também apresentou uma trajetória de piora acentuada. A percepção do trabalho do STF como “ótimo” ou “bom” caiu para 23%, enquanto a avaliação “ruim” ou “péssima” subiu para 39%. O fenômeno é particularmente notável entre segmentos específicos da população: homens, cidadãos com maior nível de escolaridade e, de forma mais acentuada, pessoas com renda superior a dez salários mínimos, onde a desaprovação chega a 65%.

O cenário eleitoral também evidencia a polarização, com a insatisfação atingindo 67% entre os eleitores do senador Flávio Bolsonaro, enquanto o eleitorado de Lula demonstra maior resiliência na confiança em relação à Corte.

O agravamento da imagem do Judiciário é atribuído, em parte, ao impacto recente de escândalos envolvendo o banco Master e o polêmico pagamento de verbas extrateto, conhecidas como “penduricalhos”, que elevaram significativamente os rendimentos da magistratura.

A opinião pública revela uma demanda clara por maior rigor ético: a maioria absoluta da população defende proibições severas, como a vedação de ministros julgarem causas de clientes de parentes, a proibição de que integrem sociedades empresariais e o fim do recebimento de pagamentos por palestras privadas. Este contexto coloca pressão sobre o presidente do STF, Edson Fachin, que tenta articular a implementação de um código de conduta interno, iniciativa que ainda enfrenta resistências dentro do tribunal.

Efeito contágio e impacto no judiciário geral

A crise de imagem ultrapassou as paredes do Supremo e atingiu o Judiciário como um todo. A parcela da população que afirma não confiar na Justiça brasileira subiu para 36%, consolidando um recorde negativo na série histórica iniciada em 2017. O levantamento Datafolha, realizado entre os dias 3 e 5 de março com 2.004 entrevistados em 137 municípios, reflete um descontentamento institucional generalizado. Com uma margem de erro de dois pontos percentuais e registrado sob o protocolo TSE nº BR-03715/2026, o estudo serve como um termômetro da atual insatisfação popular com a cúpula do poder judiciário nacio

Rovena Rosa/Agência Brasil

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