Deputado do PT publica retratação por uso de IA em montagem envolvendo Bolsonaro e Daniel Vorcaro

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Nesta terça-feira (17/2), o deputado federal Rogério Correia (PT-MG) utilizou suas redes sociais para publicar uma retratação oficial sobre o compartilhamento de uma imagem falsa envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro.

A montagem, criada por inteligência artificial, simulava um encontro entre Bolsonaro, o banqueiro Daniel Vorcaro (fundador do Banco Master) e o ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto. A medida atende a uma determinação do Tribunal de Justiça do Distrito Federal (TJDF).

Em sua nota, o parlamentar confirmou que a postagem feita no início de fevereiro continha conteúdo inverídico. Correia esclareceu que o encontro exibido na peça digital nunca aconteceu e que a imagem era fruto de manipulação tecnológica baseada em conteúdos que já circulavam na internet. O deputado pontuou ainda que havia removido o material de sua conta na plataforma X apenas um dia após a publicação original.

A decisão judicial e a proteção da honra

A ordem para a retratação partiu da juíza Patrícia Coelho, da 7ª Vara Cível de Brasília, em resposta a uma ação movida pela defesa de Bolsonaro. O argumento aceito pela magistrada foi de que a montagem violava a honra do ex-presidente ao forjar uma “relação de intimidade” inexistente com o banqueiro. Ficou estabelecido que o descumprimento da decisão resultaria em multa diária de R$ 10 mil.

Mesmo com a exclusão prévia do post, a juíza destacou a necessidade da medida devido à velocidade com que narrativas falsas se espalham no ambiente digital. Segundo o despacho, o Judiciário tem o dever de interromper ciclos de desinformação, reforçando que o combate a conteúdos comprovadamente falaciosos não configura violação à liberdade de expressão, mas sim um restabelecimento da verdade dos fatos.

Liberdade no texto da retratação

Um ponto relevante da decisão foi a autonomia dada ao deputado para redigir o texto do esclarecimento. A juíza negou o pedido da defesa de Bolsonaro para que o teor da mensagem fosse imposto por eles. Para a magistrada, a retratação deveria focar exclusivamente no esclarecimento de que a imagem era falsa e manipulada, sem a necessidade de adotar os termos específicos sugeridos pelos advogados do ex-presidente.

Reação política e críticas

Apesar do cumprimento da ordem judicial, o clima entre as partes permanece de confronto político. No último sábado (14/2), Rogério Correia comentou o processo com tom de ironia, ligando a ação judicial a figuras da extrema-direita e mencionando investigações anteriores, como as CPMIs das quais participou.

O deputado associou o processo ao atual momento jurídico de Bolsonaro, a quem se referiu de forma provocativa, mantendo as críticas contundentes ao grupo político do ex-mandatário.

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