Deputada Carol de Toni protocola pedido para que Toffoli preste esclarecimentos na CCJ da Câmara
A deputada federal Carol de Toni (PL-SC), ex-presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, protocolou nesta quarta-feira (18) um convite para que o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), preste esclarecimentos ao colegiado.
O foco do requerimento é a suposta relação de proximidade entre o magistrado e o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. A iniciativa é considerada histórica, uma vez que não há registros na trajetória republicana do país de um ministro do Supremo submetido a depoimento na Câmara para explicar envolvimento em casos sob investigação.
Embasamento constitucional e pressão política
O requerimento baseia-se no artigo 58 da Constituição Federal, que confere ao Congresso Nacional o poder de solicitar depoimentos de autoridades ou cidadãos. No documento, a parlamentar argumenta que, em um regime republicano, nenhum agente público deve estar imune ao dever de prestar contas à sociedade, especialmente quando surgem suspeitas que afetam a percepção de legalidade e a integridade da ordem constitucional. A movimentação ocorre em um momento de alta tensão entre o Legislativo e o Judiciário.
O pivô do afastamento e relatórios da PF
Até recentemente, Toffoli era o relator de uma investigação sobre fraudes bilionárias envolvendo o Banco Master, mas deixou o caso voluntariamente após a pressão por sua suspeição aumentar.
O desgaste foi alimentado por um relatório da Polícia Federal que apontou registros de ligações telefônicas e indícios de proximidade entre o ministro e Vorcaro. As informações colhidas pela PF incluem desde mensagens de celular até pesquisas em agendas públicas e registros comerciais, abrangendo inclusive dados sobre a ex-esposa do ministro, Roberta Rangel.
Reação no STF e redistribuição do caso
A saída de Toffoli da relatoria foi definida após uma reunião reservada com seus pares no Supremo. O episódio, contudo, gerou mal-estar interno devido à suspeita de que o encontro tenha sido gravado e trechos vazados, acusação que o ministro nega veementemente.
Enquanto o processo foi redistribuído para o ministro André Mendonça — que já conduz investigações sobre fraudes no consignado do INSS ligadas ao mesmo banco —, parte do STF reage à atuação da Polícia Federal. Alguns magistrados classificam o levantamento de dados sobre Toffoli como uma “investigação ilegal” e defendem a abertura de um procedimento para apurar a conduta dos investigadores.


