Daniel Vorcaro planeja selar delação na próxima semana, diz jornal

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A equipe jurídica de Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, trabalha intensamente para concluir, ainda neste final de semana, a proposta de delação premiada que será submetida à Polícia Federal e à Procuradoria-Geral da República (PGR). Conforme informações publicadas pela colunista Malu Gaspar, no jornal O Globo, o documento é robusto, composto por dezenas de anexos, e inclui uma oferta de multas bilionárias em troca de benefícios na Justiça. Para dar conta do volume de informações, uma força-tarefa de dez advogados dos escritórios de José Luís Oliveira Lima e Sergio Leonardo tem se debruçado sobre perícias de celulares e documentos de corroboração na Superintendência da PF em Brasília.

Otimismo dos advogados enfrenta ceticismo dos investigadores

O cronograma traçado pela defesa é ambicioso, prevendo reuniões conjuntas já na próxima semana e uma homologação rápida que permitiria o início dos depoimentos em menos de um mês. No entanto, o clima entre os investigadores é de cautela. Segundo a apuração de Malu Gaspar, há uma desconfiança latente de que o banqueiro possa omitir informações cruciais em um primeiro momento. Além disso, as autoridades preveem embates complexos sobre os valores de ressarcimento e a natureza dos benefícios pleiteados, o que pode frustrar os planos de uma resolução célere.

A pressa de Vorcaro em fechar o acordo não é apenas jurídica, mas estratégica. Estima-se que existam mais de R$ 10 bilhões dispersos em uma rede opaca de fundos de investimento internacionais, montada justamente para dificultar o rastreamento. De acordo com fontes ligadas ao ex-banqueiro citadas por O Globo, ele teme que os próprios gestores dessas contas secretas estejam “depenando” sua fortuna enquanto ele permanece preso. A delação surge como o único caminho para identificar e bloquear esses recursos, garantindo que o dinheiro ainda esteja disponível para pagar por sua liberdade antes que seja totalmente dissipado.

O impacto das fraudes e a herança da liquidação

O rombo deixado pelas operações de Vorcaro é gigantesco, incluindo fraudes de R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito vendidas ao BRB e desvios bilionários em fundos de pensão municipais e estaduais. Com a liquidação do Banco Master pelo Banco Central em novembro passado, a situação se tornou ainda mais crítica. O liquidante Eduardo Bianchini calcula que cerca de R$ 4,8 bilhões em bens ligados ao empresário foram desviados pouco antes da intervenção. Agora, os investigadores exigem que a proposta financeira de Vorcaro seja tão agressiva quanto os rendimentos que ele prometia a seus investidores, tornando o desfecho dessa negociação um dos pontos mais sensíveis do caso.

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