Coreia do Norte: filha de Kim Jong Un está sendo treinada para assumir o poder, diz inteligência sul-coreana

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O Serviço Nacional de Inteligência da Coreia do Sul (NIS) apresentou nesta quinta-feira sua avaliação mais contundente até o momento sobre o futuro político de Pyongyang. Segundo o órgão, o líder Kim Jong Un estaria ativamente preparando sua filha, Kim Ju Ae, para assumir o comando da dinastia hereditária.

A jovem, que acredita-se ter cerca de 13 anos, tem sido alvo de especulações crescentes desde sua primeira aparição pública. De acordo com o relatório enviado aos parlamentares sul-coreanos, o status da garota mudou de uma figura acompanhante para o de uma “pessoa de grande importância”, uma honraria terminológica que o regime tradicionalmente reserva apenas àqueles destinados ao posto de líder supremo.

Atos simbólicos e a consolidação da linhagem sagrada

A confiança do NIS na tese de sucessão baseia-se na presença estratégica de Ju Ae em eventos de altíssima relevância simbólica. Recentemente, ela acompanhou o pai em uma visita ao Palácio do Sol de Kumsusan, o mausoléu que abriga os restos mortais de seu avô e bisavô. Esse gesto é lido por analistas como um batismo político dentro da “Linhagem Paektu”, a raiz da legitimidade da família Kim.

A agência de espionagem informou que o próximo divisor de águas será o Nono Congresso do Partido, previsto para o final deste mês. A participação da jovem ou qualquer menção oficial ao seu nome durante o evento poderá selar definitivamente sua posição como herdeira do arsenal nuclear norte-coreano.

Entre a cautela dos analistas e o papel de figuras influentes

Apesar do otimismo da inteligência sul-coreana, especialistas internacionais recomendam prudência nas conclusões. Observadores da política interna de Pyongyang lembram que o país é extremamente opaco e que Kim Jong Un, aos 41 anos, ainda é considerado jovem, o que tornaria uma sucessão imediata desnecessária.

Além disso, a equação de poder pode ser alterada pela existência de outros irmãos de Ju Ae e pela forte influência de sua tia, Kim Yo Jong, que já ocupa uma posição consolidada na cúpula do governo.

Analistas estratégicos apontam que a exposição pública de um herdeiro em idade tão precoce é um movimento inédito e que o regime pode estar apenas testando a percepção externa e interna sem ter batido o martelo sobre o sucessor definitivo.

Possível retomada de diálogo com Washington no horizonte

No campo diplomático, o relatório do NIS trouxe informações sobre a postura de Pyongyang em relação aos Estados Unidos. Mesmo com a escalada de testes de mísseis e a inclusão das armas nucleares na constituição norte-coreana, o regime não fechou as portas para a diplomacia.

A agência indicou que Kim Jong Un evitou críticas diretas a Donald Trump, sinalizando que a Coreia do Norte ainda considera a possibilidade de novas negociações ou até um encontro presencial. O histórico de reuniões entre os dois líderes durante o primeiro mandato de Trump serve como base para essa expectativa de degelo, caso o cenário político em Washington favoreça uma nova rodada de diálogos sobre o alívio de sanções econômicas.

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