Conselho de Segurança da ONU vira palco de confronto após queda de Maduro: Rússia e China elevam o tom contra os EUA
A sede das Nações Unidas tornou-se o epicentro de uma crise global nesta segunda-feira (5), durante uma reunião de emergência convocada para discutir a captura de Nicolás Maduro. O governo da Rússia e da China lideraram as críticas ao ataque realizado pelos Estados Unidos em solo venezuelano durante o último fim de semana.
Enquanto a vice-secretária-geral da ONU manifestava profunda preocupação com o possível desrespeito às normas do direito internacional, a Venezuela apelava ao Conselho para que impedisse a administração norte-americana de se apropriar de suas reservas naturais.
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Acusações de neocolonialismo e bullying
O embaixador russo, Vasily Nebenzya, subiu o tom contra Washington, classificando a ação como “cínica e hipócrita”. Para o diplomata, a Casa Branca executou uma operação criminosa focada no controle de recursos energéticos, alertando que o precedente abre caminho para uma nova era de imperialismo e neocolonialismo.
No mesmo sentido, o representante chinês Fu Cong declarou que Pequim está chocada com o que definiu como “bullying” internacional. Cong reforçou que nenhuma nação possui autoridade para atuar como polícia global, advertindo que a paz na América Latina foi colocada em risco por uma ação que ignora as consequências para a estabilidade mundial.
A defesa de Washington e o tribunal de Nova York
Em contrapartida, o embaixador dos Estados Unidos, Mike Waltz, sustentou que a intervenção foi estritamente uma operação de cumprimento da lei. Waltz descreveu Maduro não como um chefe de Estado, mas como um fugitivo da justiça e narcotraficante, responsabilizando-o pela morte de milhares de cidadãos americanos e pela manipulação do sistema democrático venezuelano.
A tensão deve aumentar ainda hoje, quando Maduro e sua esposa, Cilia Flores — capturados durante os bombardeios em Caracas no sábado —, devem ser apresentados oficialmente em um tribunal de Nova York.
O posicionamento do Brasil e as demandas venezuelanas
Diante do cenário de crise, o embaixador Samuel Moncada, representando a Venezuela, exigiu que o Conselho de Segurança obrigue os EUA a libertarem os detidos imediatamente e condene o uso da força. Ele reiterou a importância de proteger a população civil e garantir a soberania sobre o território nacional.
O Brasil, embora não ocupe uma cadeira permanente no Conselho, também marcou sua posição através do diplomata Sérgio Danese. O representante brasileiro pretende discursar para condenar a ofensiva militar, reafirmando que a ação da Casa Branca representa uma afronta direta às regras internacionais e à soberania da América do Sul.


