Conselheiro de Lula avalia Flávio Bolsonaro como ameaça maior que Tarcísio
O Partido dos Trabalhadores pode estar trilhando um caminho arriscado ao definir seus alvos para a sucessão presidencial de 2026. Segundo a análise de João Paulo Cunha, ex-presidente da Câmara e influente conselheiro político, a legenda comete um erro estratégico ao subestimar o potencial eleitoral do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Para Cunha, o filho do ex-presidente representa um desafio maior para a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva do que figuras como o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).
A tese defendida por Cunha, exposta em entrevista ao jornal Estadão nesta quarta-feira (18), baseia-se no conceito de teto de rejeição. Ele argumenta que o desgaste político associado ao clã Bolsonaro já atingiu seu limite máximo, o que tornaria novos ataques ineficazes durante a campanha.
Diferente de outros candidatos, Flávio entraria na disputa com um eleitorado fiel e uma resistência já conhecida e “precificada” pelo mercado eleitoral, de forma semelhante ao que ocorre com o próprio presidente Lula.
A fragilidade de Tarcísio de Freitas no cenário nacional
Em contrapartida, o ex-deputado vê em Tarcísio de Freitas um adversário mais vulnerável. Na visão de Cunha, o governador paulista ainda é um rosto desconhecido para grande parte do Brasil e carece do carisma necessário para uma disputa presidencial. Ele destaca que o apoio do setor financeiro, simbolizado pela Faria Lima, raramente se traduz em vitória nas urnas em estados das regiões Norte e Nordeste. Para o conselheiro, Tarcísio teria “espaço para crescer” em rejeição à medida que sua imagem fosse exposta ao escrutínio nacional.
Atraso na articulação com o centro
Esse atraso pode resultar em uma base fragmentada regionalmente, onde, embora esses partidos componham o governo federal, podem apoiar adversários nos estados.
Apesar da defesa por alianças ao centro, João Paulo Cunha reforça que o PT tem o dever histórico de manter sua identidade de esquerda. No entanto, ele demonstra cautela sobre o impacto dos indicadores econômicos na popularidade de Lula.
O ex-parlamentar prevê que a economia não será o fiel da balança em 2026. Em vez disso, projeta uma campanha hostil, dominada pelo uso de Inteligência Artificial, desinformação e uma polarização que dificulta a redução dos índices de rejeição do atual mandatário.