Confrontos violentos entre manifestantes e policiais tomam as ruas em frente ao Congresso argentino
O clima de instabilidade tomou as ruas da capital argentina nesta quarta-feira. Enquanto o Senado iniciava as discussões sobre a polêmica reforma trabalhista proposta pelo governo de Javier Milei, manifestantes e forças de segurança entraram em conflito direto em frente ao Congresso Nacional, em Buenos Aires.
O cenário foi de forte polarização, refletindo o impasse entre as medidas de austeridade do Executivo e a resistência de setores sindicais.
Para garantir o fluxo das atividades parlamentares, o Ministério da Segurança montou uma operação de larga escala, isolando o Palácio Legislativo com grades e um robusto contingente de agentes. O clima de tensão escalou quando grupos de manifestantes tentaram romper as barreiras de proteção.
Segundo relatos da imprensa local, como o canal TN, houve arremesso de pedras, bastões e coquetéis Molotov contra as autoridades. A polícia reagiu utilizando balas de borracha, jatos de água e gás lacrimogêneo para dispersar a multidão. Embora o cenário fosse de caos em diversos pontos, as autoridades ainda não divulgaram um balanço oficial de detidos ou feridos graves.
A mobilização foi impulsionada por uma coalizão de sindicatos e partidos de oposição que enxergam na proposta de Milei uma ameaça direta às garantias laborais. O governo, por outro lado, defende que a iniciativa é fundamental para modernizar o mercado de trabalho e incentivar a criação de empregos formais em uma economia estagnada.
Entidades como o sindicato dos professores (CTERA) e o dos bancários (La Bancaria) classificam o projeto como um “retrocesso histórico”. Entre as críticas mais contundentes estão a flexibilização de férias e jornadas — que poderiam chegar a 12 horas sem pagamento de horas extras —, a substituição da indenização por demissão por um fundo custeado pelo próprio trabalhador e a limitação drástica do direito à greve.
Os líderes sindicais argumentam que a reforma enfraquece as organizações de classe e reduz os custos de demissão para favorecer exclusivamente o setor patronal.
Próximos passos legislativos
Apesar dos protestos intensos do lado de fora, a articulação política de Javier Milei segue avançando. O governo afirma ter consolidado os votos necessários para a aprovação inicial.
O objetivo do Executivo é que o texto passe pelo Senado sem alterações substanciais, seguindo para a Câmara dos Deputados em um processo ágil, evitando que a matéria precise retornar para nova revisão dos senadores. O debate legislativo continua em curso, sob a sombra das manifestações que prometem persistir enquanto a reforma tramitar.


