Cometa verde gigante se aproxima da Terra antes de ser expulso do Sistema Solar para sempre

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Um espetáculo astronômico de proporções épicas atingirá seu auge na próxima terça-feira (17 de fevereiro). O cometa C/2024 E1 (Wierzchoś), uma gigantesca bola de gelo comparável ao tamanho de uma pequena cidade, fará sua maior aproximação da Terra.

Descoberto em março de 2024 pelo astrônomo polonês Kacper Wierzchoś, o objeto tem atraído a atenção da comunidade científica não apenas pelo seu brilho verde característico, mas pela sua trajetória singular: após esta visita, ele deverá ser ejetado permanentemente do Sistema Solar, tornando-se um “andarilho” do espaço interestelar.

Origem remota e análise do James Webb

Vindo da Nuvem de Oort — o reservatório de gelo nos confins do nosso sistema — o Wierzchoś é classificado como um cometa hiperbólico. Isso significa que ele não possui uma órbita fechada ao redor do Sol e, provavelmente, esta é sua primeira e última incursão pelo sistema solar interno.

Dados coletados pelo Telescópio Espacial James Webb (JWST) revelaram que o núcleo do cometa possui cerca de 13,7 quilômetros de diâmetro e é envolto por uma coma rica em dióxido de carbono.

O cometa Wierzchoś provavelmente entrou em uma trajetória sem volta para fora do sistema solar após sua recente assistência gravitacional solar.(Crédito da imagem: NASA/JPL/Small-Body Database Lookup)

Especialistas acreditam que o cometa vem “caindo” em direção ao Sol há pelo menos um milhão de anos, preparando-se agora para o impulso gravitacional que o lançará para fora da nossa vizinhança cósmica.

O mistério da cor esverdeada e semelhanças com o 3I/ATLAS

A tonalidade esmeralda que encanta astrofotógrafos em todo o mundo é uma característica rara, possivelmente ligada ao alto teor de carbono em sua composição. O comportamento do Wierzchoś remete ao célebre cometa interestelar 3I/ATLAS, que cruzou nosso sistema no ano passado.

Na época, as características incomuns do ATLAS chegaram a gerar teorias controversas sobre uma origem artificial, embora cientistas tenham confirmado sua natureza natural. Assim como seu antecessor, o “cometa verde” atual passará milhões de anos vagando pela Via Láctea e atravessando sistemas estelares alienígenas após deixar o nosso domínio.

O cometa Wierzchoś foi avistado pela primeira vez em março de 2024. Esta foto foi capturada pelo Zwicky Transient Facility, no Observatório Palomar, na Califórnia, em 14 de setembro de 2025.(Crédito da imagem: NASA/JPL-Caltech/IRSA/ZTF)
Como observar o fenômeno no Brasil e no mundo

Embora o cometa tenha se tornado significativamente mais brilhante após passar pelo seu ponto mais próximo do Sol (periélio) em janeiro, ele não será visível a olho nu. Para contemplar a “bola de gelo esmeralda”, os entusiastas precisarão de binóculos astronômicos ou telescópios. No Hemisfério Sul, as condições de observação são privilegiadas.

O objeto poderá ser localizado após o pôr do sol, cruzando a constelação de Sculptor acima do horizonte sudoeste. À medida que se afasta da Terra, o Wierzchoś levará décadas para cruzar a fronteira final do Sistema Solar, deixando para trás um rastro de dados que ajudará a entender melhor os segredos dos visitantes interestelares.

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