Cientistas monitoram mutações perigosas de vírus que ameaçam causar nova emergência sanitária

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Seis anos após o início da crise sanitária global da Covid-19, a comunidade científica internacional mantém um estado de vigilância rigorosa sobre novas ameaças biológicas. Segundo Patrick Jackson, especialista em doenças infecciosas da Universidade da Virgínia, o cenário atual é moldado por uma combinação perigosa de fatores como o aquecimento global, a expansão demográfica e a alta mobilidade entre os continentes.

Em análise publicada recentemente, o professor destaca que o foco das autoridades de saúde neste ano está direcionado especificamente para o avanço da gripe aviária H5N1, da ‘mpox’ e do vírus Oropouche, cada um apresentando desafios únicos de contenção.

O risco da mutação do H5N1 e a transmissão entre espécies

A gripe aviária do subtipo H5N1 é classificada por Jackson como uma ameaça persistente que deu um salto preocupante nos últimos anos. O vírus, que historicamente afetava apenas aves, rompeu a barreira das espécies em 2024 ao ser detectado em gado leiteiro nos Estados Unidos e, posteriormente, em humanos que tiveram contato com esses animais.

A grande preocupação dos cientistas para 2026 é a possibilidade de o vírus sofrer mutações que permitam a transmissão direta entre pessoas. Caso isso ocorra, o mundo poderá enfrentar uma nova pandemia de gripe com potencial de letalidade comparável ou superior ao surto de H1N1 registrado em 2009.

A persistência da mpox e o ressurgimento de cepas agressivas

Embora a emergência internacional da ‘mpox’ tenha sido encerrada oficialmente pela OMS, o monitoramento permanece intenso devido ao aumento de casos da estirpe do clado I na África Central. Esta variante é considerada mais preocupante do que a que se espalhou globalmente em 2022.

O alerta foi reforçado após a detecção de casos nos Estados Unidos no final de 2025, inclusive em indivíduos que não possuíam histórico de viagens internacionais. Esse cenário sugere que o vírus continua circulando silenciosamente, exigindo uma vigilância constante das agências de segurança sanitária para evitar novos surtos descontrolados.

A expansão da febre Oropouche e outras ameaças latentes

Menos conhecida pelo grande público, a febre Oropouche saiu do isolamento da região amazônica para se tornar uma ameaça em toda a América Latina e Caribe. Transmitida por pequenos mosquitos, a doença não possui vacinas ou tratamentos específicos, o que dificulta o manejo de novos surtos que agora afetam viajantes em áreas geográficas muito mais amplas.

Além desse trio principal, o especialista alerta para o perigo do sarampo, impulsionado pela queda nas taxas de vacinação, além da chikungunya e do risco de retrocessos no controle do HIV devido a cortes em programas de ajuda internacional, configurando um tabuleiro epidemiológico complexo para o restante do ano.

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