Cientistas investigam misterioso “pássaro” de dimensões colossais registrado próximo ao Sol
Um fenômeno visual intrigante capturou a atenção de astrônomos nesta segunda-feira. O instrumento LASCO C2, operado pela sonda espacial SOHO, registrou um objeto óptico cujas formas remetem à silhueta de um pássaro gigante com asas abertas próximo à coroa solar.
O Laboratório de Astronomia Solar do Instituto de Pesquisa Espacial da Academia Russa de Ciências confirmou a detecção, que reacende debates sobre a natureza de anomalias visuais captadas em ambientes de radiação extrema.
Entre as explicações iniciais analisadas por agências espaciais, surge a possibilidade de o registro ser fruto de uma “partícula galáctica”. Essas partículas, que compõem os raios cósmicos, são geralmente prótons ou núcleos atômicos carregados com altíssima energia.
Elas viajam pelo cosmos em velocidades próximas à da luz e, ao atingirem os sensores sensíveis de equipamentos como o SOHO, podem gerar artefatos visuais ou distorções ópticas que não correspondem necessariamente a objetos sólidos, mas sim a interferências de origem externa ao nosso sistema solar.

Histórico de fenômenos semelhantes no espaço
Esta não é a primeira vez que o satélite SOHO registra imagens com essa morfologia peculiar. Em maio do ano passado, um fenômeno com formato de pássaro também foi documentado contra o disco solar, apresentando dimensões estimadas em até dez vezes o tamanho da Terra.
Tais eventos, embora visualmente impressionantes, costumam ser submetidos a rigorosas análises físicas para descartar ilusões de ótica causadas pela saturação dos instrumentos de captura.
A perspectiva da física nuclear sobre o “pássaro solar”
Para o físico nuclear Evgeny Anpilogov, o fenômeno pode ter uma explicação mais ligada à dinâmica interna da nossa estrela. Ele sugere que a figura pode ser, na verdade, uma proeminência solar ou uma ejeção de massa coronal (EMC). Nesses casos, o material solar é expelido para a magnetosfera, criando estruturas de plasma relativamente mais frias que a superfície ao redor.
Segundo Anpilogov, enquanto parte dessa massa é atraída de volta pelos campos magnéticos do Sol, a estrutura visível tende a esfriar continuamente conforme se desloca para as regiões mais remotas do sistema solar.


