Cientistas alertam para ciclo geológico desconhecido que altera o equilíbrio térmico da Terra

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Cientistas sempre souberam que o clima da Terra é uma montanha-russa geológica, oscilando entre eras de gelo profundo e períodos de calor extremo. No entanto, um novo estudo publicado na revista Communications Earth and Environment revela que os verdadeiros condutores dessa variação não são apenas as emissões vulcânicas, como se acreditava, mas o movimento colossal das placas tectônicas.

A pesquisa demonstra que a forma como as placas se afastam e se encontram sob os oceanos regula o ciclo profundo do carbono, determinando a temperatura global ao longo de milhões de anos.

O segredo nas fendas do fundo do mar

Historicamente, as cadeias de vulcões conhecidas como arcos vulcânicos eram apontadas como as principais responsáveis por injetar dióxido de carbono (CO2) na atmosfera. Mas os novos dados desafiam essa visão. O estudo sugere que as dorsais meso-oceânicas e as fendas continentais — onde a crosta terrestre está sendo “puxada” para direções opostas — desempenham um papel muito mais decisivo. Nessas regiões, o carbono que estava aprisionado no interior da Terra é liberado de forma mais significativa, alimentando os ciclos de aquecimento global em escalas de tempo geológicas.

As cristas onde a crosta terrestre se separa desempenharam um papel mais significativo em nosso ciclo de carbono do que pensávamos. ( 
Christoph Burgstedt/Getty Images/Canva )
O ciclo profundo e o papel dos oceanos

O processo funciona como um sistema de reciclagem planetária. Os oceanos sequestram enormes quantidades de CO2 da atmosfera, que acabam armazenadas em sedimentos no fundo do mar. À medida que o movimento das placas empurra essas rochas ricas em carbono para as zonas de subducção (onde uma placa mergulha sob a outra), esse carbono retorna ao interior da Terra ou é expelido de volta à atmosfera.

Utilizando modelos computacionais avançados, os pesquisadores conseguiram reconstruir esse fluxo nos últimos 540 milhões de anos, prevendo com precisão os momentos em que o planeta esquentou ou esfriou drasticamente.

A revolução dos microrganismos marinhos

Uma das descobertas mais fascinantes do estudo é como a vida biológica alterou a geologia. Há cerca de 150 milhões de anos, o surgimento de minúsculas criaturas marinhas, os organismos calcificadores planctônicos, mudou o jogo. Esses seres convertem o carbono dissolvido em calcita, criando vastas camadas de sedimentos no leito oceânico. É por causa desses organismos que, nos últimos 120 milhões de anos, os arcos vulcânicos tornaram-se fontes tão ricas de emissão: os vulcões agora “cozinham” rochas que foram enriquecidas por trilhões dessas criaturas ao longo das eras.

Uma nova bússola para o clima futuro

Essa nova perspectiva oferece ferramentas cruciais para aprimorar os modelos climáticos modernos. Compreender que o clima é o resultado de um equilíbrio delicado entre as emissões das fendas tectônicas e o sequestro de carbono nos sedimentos ajuda a prever como a Terra reagirá a longo prazo.

Embora esses processos ocorram em velocidades majestosamente lentas, eles fornecem o contexto necessário para entender a gravidade das mudanças climáticas atuais e a singularidade da interferência humana no sistema natural do planeta.

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