Caso Master: ministro Mendonça atende PF e prorroga inquérito sobre esquema bilionário

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O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta quarta-feira (18) a prorrogação do inquérito do “Caso Master” por mais 60 dias. A decisão atende a um pedido protocolado pela Polícia Federal na véspera, sob a justificativa de que o prazo adicional é fundamental para a conclusão de diligências consideradas imprescindíveis para o esclarecimento total dos fatos apurados. Ao deferir o pedido, o magistrado validou os argumentos da autoridade policial sobre a complexidade da análise em curso.

A necessidade de mais tempo deve-se ao volume massivo de evidências coletadas durante as diversas etapas da Operação Compliance Zero. Os investigadores ressaltam que ainda há um vasto material a ser periciado, incluindo documentos, computadores e celulares apreendidos. Somente nas três fases da operação, foram recolhidos mais de 100 aparelhos móveis — oito deles pertencentes diretamente a Daniel Vorcaro, dono da instituição financeira.

O esquema das carteiras de crédito e o rombo bilionário

O foco central das investigações da Polícia Federal recai sobre uma suposta fabricação de carteiras de crédito falsas. Segundo o inquérito, o esquema servia para desviar recursos diretamente para o patrimônio pessoal dos envolvidos, gerando um prejuízo estimado que pode ultrapassar a marca de R$ 12 bilhões. Além das movimentações internas do Banco Master, a Justiça apura a participação de outras instituições públicas, como o Banco de Brasília (BRB). Suspeita-se que o banco estatal tenha injetado bilhões no Master por meio de operações fraudulentas, o que levou ao afastamento judicial do presidente do BRB, Paulo Henrique Costa.

As fases anteriores da Operação Compliance Zero revelaram a magnitude do caso. Desde a primeira etapa, deflagrada em novembro de 2025 contra a cúpula do banco, as ações evoluíram para o rastreamento financeiro e recuperação de ativos. Em janeiro de 2026, a Justiça autorizou o bloqueio de R$ 5,7 bilhões em bens, realizando buscas em endereços ligados a Vorcaro e seus familiares, onde foram apreendidos carros de luxo e grandes quantias em espécie.

A Turma” e a infiltração em órgãos reguladores

A fase mais recente do inquérito, deflagrada em março deste ano, revelou ramificações ainda mais graves: uma estrutura de coerção e infiltração no Estado. A Polícia Federal identificou um grupo denominado “A Turma”, descrito como uma milícia privada utilizada para monitorar e intimidar adversários e profissionais da imprensa que investigavam o banco. O esquema contava ainda com a colaboração de servidores do Banco Central, que atuavam como “consultores privados” de Vorcaro, antecipando informações privilegiadas e facilitando processos regulatórios mediante o pagamento de propina.

Em decorrência dessas novas descobertas, Daniel Vorcaro foi preso novamente, e o STF elevou o bloqueio de bens para o patamar de R$ 22 bilhões. O grupo investigado enfrenta agora acusações por crimes de gestão temerária, lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva, além de obstrução de justiça.

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