Caso Master: Investigados prestam depoimento à PF em inquérito sobre compra pelo BRB
A Polícia Federal deu início, nesta segunda-feira (26), a uma série de depoimentos envolvendo oito investigados no inquérito que apura irregularidades na tentativa de compra do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB).
Os interrogatórios, que ocorrem de forma presencial na sede do Supremo Tribunal Federal (STF) e por videoconferência, são cruciais para definir a competência jurídica do caso, podendo manter a tramitação na Suprema Corte ou devolvê-la à Justiça Federal.
O cronograma de oitivas começou às 8h10 com Dário Oswaldo Garcia Junior, diretor de Finanças e Controladoria do BRB, que prestou esclarecimentos por cerca de uma hora. Na sequência, André Felipe de Oliveira Seixas Maia e Henrique Souza e Silva Peretto optaram pelo silêncio, alegando falta de acesso prévio aos autos do processo.
A rodada de depoimentos desta segunda-feira deve ser encerrada com a fala de Alberto Felix de Oliveira, executivo do Banco Master. Para terça-feira (27), estão previstos os depoimentos de outros quatro nomes ligados às instituições, incluindo sócios e diretores de risco e operações.
Suspeitas de fraude e movimentações bilionárias
A investigação, prorrogada recentemente pelo ministro Dias Toffoli por mais 60 dias, foca nos detalhes de uma transação financeira que levantou alertas no mercado. Segundo a PF, o Banco Master teria emitido Certificados de Depósito Bancário (CDBs) com promessas de rendimento de até 40% acima da taxa de mercado, valores considerados irreais pelos investigadores.
O esquema pode ter movimentado a cifra de R$ 12 bilhões e teria contado com a participação de dirigentes do BRB. Embora o acordo de compra tenha sido firmado em março, o Banco Central barrou a operação.
O caso chegou ao STF em dezembro do ano passado por decisão de Toffoli. Entre os pontos centrais da apuração está a atuação de Daniel Vorcaro, dono do Master, que chegou a ser preso em novembro na Operação Compliance Zero, mas foi solto posteriormente por decisão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1).
Desdobramentos da Operação Compliance Zero
Na última semana, uma nova fase da Operação Compliance Zero foi deflagrada para aprofundar a análise sobre fraudes financeiras sistêmicas. A Polícia Federal aponta que o grupo investigado se aproveitava de vulnerabilidades no mercado de capitais, utilizando fundos de investimento e complexas redes de elos societários e familiares para camuflar as irregularidades.
A suspeita é de que tenham sido utilizados “laranjas” e sócios ocultos para operar ativos sem liquidez e com preços inflados artificialmente.
A lista de possíveis crimes sob investigação é extensa e inclui organização criminosa, gestão fraudulenta de instituição financeira, indução de investidores ao erro, uso de informação privilegiada, manipulação de mercado e lavagem de dinheiro.
As autoridades agora buscam consolidar as provas sobre a interconexão entre os gestores das duas instituições bancárias e o alcance real do prejuízo causado ao sistema financeiro.


