Candidata algoritmo”: IA disputa vaga nas eleições em congresso de país sul-americano

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O cenário político colombiano ganha um contorno futurista nas eleições legislativas marcadas para 8 de março. Entre os nomes que buscam uma vaga como representante dos povos originários, destaca-se “Gaitana”, uma aspirante criada por inteligência artificial.

Registrada como candidata independente, a persona digital apresenta-se como ativista ambiental e defensora dos direitos dos animais, trazendo a promessa de uma gestão baseada na democracia direta digital: todas as suas decisões no Congresso seriam tomadas via votação online.

Apesar da face tecnológica, a candidatura possui lastro jurídico real. Segundo esclarecimentos do Cadastro Nacional — órgão responsável pelo pleito — à agência AFP, a campanha é conduzida por uma pessoa física que utiliza a identidade digital como plataforma política.

Nas cédulas de votação, o eleitor encontrará a sigla “IA”, em referência aos distritos eleitorais indígenas. O projeto é fruto da iniciativa de jovens entusiastas de tecnologia de diversas etnias, que defendem o uso da inteligência artificial como ferramenta para descentralizar o poder.

Estética vs. essência

A aparência de Gaitana, que exibe traços asiáticos e um sotaque estrangeiro ao falar espanhol, gerou questionamentos sobre sua representatividade étnica.

Facebook / Gaitana IA

Em resposta à imprensa local, a candidata digital afirmou que a imagem visual não define a alma do projeto, reiterando que o foco central é devolver a autonomia de decisão à comunidade. Para os criadores, a tecnologia serve como um canal neutro para que a voz coletiva se sobreponha à figura individual do político tradicional.

Soberania digital e participação popular

As propostas de Gaitana miram a independência tecnológica da Colômbia. O plano de governo inclui o desenvolvimento de sistemas estratégicos e soluções de soberania digital nos setores bancário e de IA, embora os detalhes técnicos da implementação ainda não tenham sido aprofundados.

De acordo com o engenheiro Carlos Redondo, integrante da etnia Zenú e colaborador do projeto, as diretrizes defendidas pela candidata não são aleatórias, mas sim o resultado direto de debates realizados entre cerca de 10 mil usuários que interagem com o chatbot oficial da campanha.

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