Canadá simula invasão dos EUA pela primeira vez em 100 anos após ameaças de anexação
Em um movimento que remete a tensões históricas do passado, as Forças Armadas do Canadá conduziram recentemente uma simulação teórica de uma invasão militar vinda dos Estados Unidos. Segundo informações reveladas pelo jornal The Globe and Mail, citando fontes de alto escalão do governo, esta seria a primeira vez em cerca de um século que o país dedica esforços para modelar um cenário de agressão vindo de seu vizinho ao sul.
O exercício, no entanto, é descrito pelas autoridades como uma atividade conceitual e estratégica, e não como um plano de guerra operacional imediato.
Vulnerabilidade estratégica e rapidez da ocupação
Os planejadores militares canadenses traçaram cenários preocupantes durante os testes teóricos. A avaliação aponta que, devido à superioridade numérica e tecnológica da potência vizinha, os pontos estratégicos do Canadá, tanto terrestres quanto marítimos, poderiam ser dominados em um intervalo extremamente curto. As estimativas sugerem que a soberania canadense poderia ser comprometida em um prazo que varia de apenas dois dias a, no máximo, uma semana após o início de uma ofensiva convencional por terra.
Estratégias de resistência e guerra assimétrica
Diante da insuficiência de pessoal e equipamentos para conter um ataque frontal, o modelo de defesa canadense teria de ser drasticamente alterado. Em vez de combates tradicionais, as Forças Armadas seriam forçadas a adotar táticas de guerra assimétrica, como sabotagens, emboscadas e ataques rápidos com drones. O planejamento prevê que a resistência seria composta por pequenos grupos de militares e até civis armados, focados em infligir o máximo de baixas possíveis às forças de ocupação para tornar a invasão insustentável a longo prazo.
Impossibilidade de vitória militar e contexto político
Apesar das simulações, especialistas como o major-general reformado David Fraser, veterano do Afeganistão, reiteram que não existe uma possibilidade realista de o Canadá derrotar militarmente os Estados Unidos em um conflito direto.
O exercício surge em um momento de retórica atípica vinda de Washington: o presidente Donald Trump tem manifestado publicamente o desejo de anexar o território canadense. Em declarações feitas em maio passado, Trump afirmou que a transformação do Canadá em um estado norte-americano seria “fantástica” e vantajosa para ambas as nações.


