Caça dos EUA é abatido no Irã e mobiliza resgate dramático; Teerã anuncia queda de segunda aeronave
A guerra, que já se estende por quase cinco semanas, registrou um novo e crítico desdobramento com a queda de um caça F-15E Strike Eagle dos Estados Unidos em território iraniano. O incidente deu início a uma operação de resgate frenética e de alto risco para localizar os dois tripulantes da aeronave. Até o momento, um militar foi resgatado com sucesso, mas o paradeiro do segundo tripulante permanecia incerto na noite de sexta-feira. Embora a mídia estatal iraniana tenha divulgado imagens de destroços alegando o abate de um avançado F-35, especialistas militares confirmaram que se trata de um F-15E do 494º esquadrão, unidade baseada no Reino Unido.
Abates simultâneos e o cerco em terra
A tensão escalou ainda mais com a confirmação, por parte da agência de notícias Tasnim, de que um segundo avião americano foi derrubado na sexta-feira. Trata-se de um A-10 Warthog, que teria sido interceptado pelo sistema integrado de defesa aérea do Irã enquanto sobrevoava o Estreito de Ormuz. Segundo o exército iraniano, a queda ocorreu de forma quase simultânea ao incidente com o F-15E. Fontes do The New York Times confirmaram a queda do A-10 na região do Golfo Pérsico, mas ressaltaram que, diferentemente do caso anterior, o único piloto a bordo foi resgatado ileso.
A missão de recuperação do tripulante desaparecido no continente mobilizou aeronaves C-130 Hercules e helicópteros HH-60 Pavehawk, avistados em baixa altitude no sudoeste do Irã. A localização provável da queda foi identificada nas proximidades de Behbahan, após um apresentador de TV local instigar a população a capturar os “pilotos inimigos”. O clima de hostilidade foi reforçado por um empresário iraniano, que ofereceu uma recompensa de 60 mil dólares pela captura dos militares com vida, enquanto Teerã emitia informações contraditórias sobre a custódia dos envolvidos.
Guerra de narrativas e balanço de danos
No campo diplomático e digital, o presidente do parlamento iraniano, Mohammad-Bagher Ghalibaf, ironizou a situação, sugerindo que a estratégia americana se reduziu a um pedido de ajuda para localizar pilotos. Por outro lado, o Comando Central dos EUA negou perdas adicionais além das confirmadas e reafirmou que as demais aeronaves de combate estão contabilizadas. Com os novos incidentes, o custo estimado de perdas materiais americanas ultrapassa a marca de 3 bilhões de dólares, refletindo o crescente desgaste da frota em território hostil.
Escalada de ataques e infraestrutura sob mira
Enquanto o resgate ocorria, o cenário de guerra se intensificava com explosões em Teerã e novos ataques israelenses contra alvos no Irã e no Líbano. De forma estratégica, Israel teria suspendido bombardeios em áreas relevantes para não comprometer a missão de resgate dos EUA. Simultaneamente, o governo americano reiterou ameaças de atingir a infraestrutura vital iraniana, incluindo usinas elétricas e pontes, como a travessia entre Teerã e Karaj, recentemente destruída. Essa postura gerou uma reação imediata de especialistas em direito internacional, que alertaram para o risco de crimes de guerra caso bens indispensáveis à sobrevivência civil sejam alvos sistemáticos.
Perspectivas de paz e resistência do regime
Apesar da pressão militar e do cerco à infraestrutura, o regime iraniano não demonstra sinais de rendição. O governo dos EUA teria sinalizado a Israel o desejo de preservar a vida do novo líder supremo, Mojtaba Khamenei, visando manter um canal de interlocução para um eventual acordo de paz futuro. Contudo, a realidade no terreno permanece volátil: sirenes continuam a soar em Israel sob o disparo de mísseis vindos do Líbano e do Irã, enquanto novos bombardeios atingem o sul de Beirute, mantendo a região em um ciclo ininterrupto de violência e incerteza humanitária.