Brasil preocupa o Banco Mundial, enquanto Argentina se destaca como “exceção positiva”

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O Banco Mundial publicou, nesta quarta-feira (8), seu novo relatório sobre o panorama econômico para a América Latina e o Caribe. O documento revela um cenário de contrastes: enquanto a Argentina apresenta uma recuperação surpreendente e se torna a “exceção positiva” da região, as duas maiores potências da área, Brasil e México, enfrentam uma perda de fôlego econômico. Segundo o organismo, a região como um todo ainda lida com um crescimento limitado, prejudicado por incertezas comerciais e restrições fiscais internas.

A ascensão da economia argentina sob reformas liberais

O grande destaque do relatório é a Argentina, que projeta um crescimento real de 3,6% no PIB para este ano. O Banco Mundial atribui essa melhora à agenda de reformas do presidente Javier Milei. O ajuste fiscal severo, que transformou o déficit público em superávit primário, foi fundamental para estabilizar as expectativas do mercado e reduzir o risco país. O documento ressalta que o corte de gastos ineficientes e a reorganização de subsídios foram pilares para ancorar a inflação.

Além das medidas fiscais, o Banco Mundial destaca o impacto do Regime de Incentivo a Grandes Investimentos (RIGI) e da reforma trabalhista argentina. A recente parceria estratégica com os Estados Unidos para a cadeia de minerais críticos também fortaleceu a confiança externa. No entanto, o alerta permanece: a Argentina ainda enfrenta riscos significativos devido à escassez de reservas internacionais e à dependência de financiamento externo.

Brasil: Juros altos e espaço fiscal limitado travam crescimento

Em direção oposta, o Brasil deve registrar uma desaceleração, com crescimento estimado em 2,2% para 2025, abaixo dos 3,4% registrados em 2024. O Banco Mundial avalia que a queda dos juros no início do ano e os preços das commodities não foram suficientes para anular os efeitos negativos das tensões comerciais e da incerteza política. A manutenção de taxas de juros reais elevadas até o início de 2026 é vista como o principal entrave para o crédito e o investimento privado no país.

O relatório pontua que, apesar do aumento de impostos durante a gestão de Luiz Inácio Lula da Silva, o superávit primário não foi atingido devido à expansão dos gastos públicos, especialmente com benefícios sociais. Esse desequilíbrio fiscal pressionou a inflação, forçando o Banco Central a manter uma política monetária restritiva, o que limita a capacidade de consumo e investimento das empresas e das famílias brasileiras.

Endividamento e perspectivas para o consumo regional

De modo geral, o consumo continua sendo o principal motor da América Latina, mas seu ritmo é considerado modesto. O Banco Mundial observa que os custos de crédito ainda estão elevados para a maioria da população. No Brasil, especificamente, nota-se um aumento gradual na inadimplência, reflexo do longo período de juros altos que afeta os tomadores de crédito mais vulneráveis.

Para tentar mitigar o problema da dívida das famílias em ano eleitoral, o governo brasileiro articula um programa de refinanciamento que prevê descontos agressivos nos juros de cartões e cheques especiais. Entre as estratégias analisadas pelo Ministério da Fazenda, está inclusive o uso de recursos do FGTS para a quitação de débitos, medida que visa estimular a demanda interna em um momento de estagnação da renda per capita regional.

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