Brasil denuncia “lei da selva” na OEA e condena captura de Maduro pelos EUA

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O governo brasileiro utilizou o fórum da Organização dos Estados Americanos (OEA), nesta terça-feira (6), para formalizar seu veemente repúdio à recente operação militar dos Estados Unidos em território venezuelano.

Durante sessão extraordinária do Conselho Permanente, o Brasil reafirmou sua postura diplomática contrária à ação norte-americana, que culminou na captura e detenção do presidente Nicolás Maduro e da primeira-dama, Cilia Flores.

O embaixador Benoni Belli, representante brasileiro junto à organização, classificou os bombardeios e o sequestro do mandatário como atos “inaceitáveis” que colocam em risco a estabilidade da comunidade internacional.

Em sua fala, o diplomata argumentou que a preservação da soberania nacional, amparada pelo direito internacional, é o único caminho para evitar que as relações globais retrocedam a um estado de subordinação e desordem, comparando a ausência dessas normas a uma “lei da selva”. Belli enfatizou que o Brasil manterá sua defesa intransigente pelos princípios de não intervenção e pela manutenção da paz na América do Sul.

Tumulto e mudança de postura na organização

A sessão foi marcada por momentos de tensão quando o discurso do embaixador dos Estados Unidos, Leandro Lizzuto, foi interrompido pelos gritos de uma manifestante. A mulher, que protestava contra a política externa de Washington e expressava apoio à Venezuela, provocou a suspensão temporária dos trabalhos até ser retirada do recinto por seguranças.

O episódio ocorre em um momento de transição na OEA, que tenta recuperar seu papel de mediadora regional após uma década de desgaste sob a gestão de Luis Almagro (2015-2025). Diferente de seu antecessor, que chegou a flertar com a ideia de intervenção armada e sanções severas, a atual chefia da organização adotou um tom conciliador.

Em seu pronunciamento, o secretário-geral defendeu o diálogo para restaurar a estabilidade democrática e ofereceu o suporte técnico da OEA para monitorar futuros processos eleitorais no país.

Ofensiva diplomática brasileira nas Nações Unidas

A manifestação na OEA é o segundo movimento de peso da diplomacia brasileira em menos de 48 horas. Na segunda-feira (5), o Brasil já havia levado o tema ao Conselho de Segurança da ONU, em Nova York.

Naquela ocasião, o embaixador Sérgio Danese criticou duramente a lógica de que “os fins justificam os meios”, alertando que aceitar tal premissa daria às nações mais poderosas o direito arbitrário de ignorar soberanias nacionais. Para o Brasil, a construção de um mundo multipolar é incompatível com a manutenção de áreas de influência impostas pela força.

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