Avião detector de armas nucleares americano é enviado à Inglaterra em meio a rumores de ataques ao Irã

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Uma aeronave WC-135R Constant Phoenix, da Força Aérea dos Estados Unidos, especializada na detecção de partículas radioativas, pousou recentemente na base da RAF Mildenhall, no condado de Suffolk, Inglaterra. A chegada da aeronave, reportada inicialmente pelo The Telegraph, ocorre em um momento de extrema sensibilidade geopolítica.

O deslocamento do “detector nuclear” coincide com o endurecimento do discurso de Washington em relação a Teerã, reacendendo debates sobre a possibilidade de novas intervenções militares norte-americanas em solo iraniano, após os bombardeios realizados contra complexos atômicos da República Islâmica em junho passado.

Monitoramento atmosférico e histórico de crises

O Constant Phoenix é uma ferramenta estratégica de inteligência atmosférica, utilizada historicamente para coletar amostras de ar e detectar sinais de testes nucleares ou vazamentos radioativos. O histórico de movimentação desta aeronave serve frequentemente como um termômetro de crises globais: em 2022, o WC-135R foi avistado no Reino Unido semanas antes da invasão russa à Ucrânia e, no ano passado, foi enviado ao Oriente Médio dias antes dos ataques americanos às instalações iranianas. Apesar do padrão sugestivo, fontes de defesa britânicas ponderam que o pouso em solo europeu não deve ser lido automaticamente como o prelúdio de um ataque iminente, podendo tratar-se de uma movimentação de rotina para vigilância de tratados internacionais.

A “armada massiva” de Trump e o ultimato a Teerã

A movimentação aérea ocorre em paralelo ao cerco naval e diplomático liderado pelo presidente Donald Trump. Na última quarta-feira, o mandatário americano elevou o tom das ameaças, afirmando que o “tempo está se esgotando” para que o Irã assine um novo tratado de desnuclearização. Trump mencionou ainda o deslocamento de uma armada “massiva” em direção à região, reforçando a presença militar dos EUA no Oriente Médio.

Nesse cenário, o WC-135R atuaria, oficialmente, em nome de protocolos das Nações Unidas para garantir que testes de superfície — que violariam acordos internacionais — não estejam sendo conduzidos secretamente pela República Islâmica ou outros atores regionais.

Pressão de aliados e o temor de retaliação regional

Enquanto Washington mantém a opção militar sobre a mesa, a diplomacia europeia e as potências árabes observam o movimento com cautela. Países como Arábia Saudita, Catar, Omã e Egito têm exercido forte pressão sobre a administração Trump para evitar uma escalada de agressão direta.

O temor desses aliados é que uma ofensiva americana contra as instalações remanescentes do Irã desencadeie uma onda de retaliações em toda a região, transformando as nações vizinhas em alvos prioritários de Teerã.

Até o momento, a presença do Constant Phoenix no Reino Unido serve como um lembrete silencioso, mas potente, de que os olhos de Washington estão voltados para qualquer sinal de fumaça radioativa no horizonte global.

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