Ataque em Moscou: general ligado a Putin é ferido a tiros em escadaria de prédio

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O alto escalão militar da Rússia foi abalado na última sexta-feira por um ataque direto em solo moscovita. O tenente-general Vladimir Alekseyev, figura central na inteligência militar russa (GRU), foi baleado diversas vezes na escadaria de seu próprio prédio, na zona noroeste da capital.

Segundo informações da mídia estatal, o oficial foi surpreendido por um atirador desconhecido e permanece internado em estado gravíssimo. Como vice-diretor do GRU, Alekseyev comanda uma unidade do Ministério da Defesa célebre por operações clandestinas globais, variando de espionagem a atos de sabotagem e assassinatos.

O arquiteto da invasão e mediador de crises

A relevância de Alekseyev no Kremlin é profunda. Ele foi um dos estrategistas que municiaram o presidente Vladimir Putin com informações cruciais para a invasão da Ucrânia em 2022. Além disso, o general desempenhou um papel ambíguo e vital na gestão de milícias privadas, sendo um dos negociadores enviados para conter Yevgeny Prigozhin durante a rebelião do Grupo Wagner em 2023.

Embora tenha chegado a ser detido brevemente por suas conexões com os mercenários, Alekseyev conseguiu manobrar politicamente para manter seu posto, apesar das suspeitas de deslealdade que pairaram sobre ele após o motim.

Acusações internacionais e o fantasma de Kiev

O currículo do general é marcado por sanções internacionais severas. Washington o acusa de interferência nas eleições presidenciais de 2020, enquanto o Reino Unido o aponta como um dos responsáveis pelo ataque com o agente nervoso Novichok em Salisbury, em 2018. Embora nenhum grupo tenha assumido a autoria do atentado de sexta-feira, o governo russo aponta imediatamente para a Ucrânia. Kiev, que já eliminou dezenas de oficiais russos acusados de crimes de guerra desde o início do conflito, é vista por Moscou como a principal suspeita por trás da emboscada.

Diplomacia sob fogo e falhas de segurança

O ataque ocorre em um momento diplomático sensível, apenas um dia após o superior de Alekseyev, Igor Kostyukov, participar de conversas sobre paz em Abu Dhabi. O chanceler russo, Sergei Lavrov, classificou o episódio como um “ataque terrorista” destinado a sabotar o diálogo, embora tentativas anteriores de cessar-fogo tenham naufragado devido às exigências territoriais russas.

Internamente, o clima é de cobrança: blogueiros militares e especialistas como Andrei Soldatov criticam o que chamam de “negligência inacreditável”, questionando como a inteligência russa permitiu que um atirador rompesse a segurança de um oficial desse escalão no coração de Moscou.

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