Astrônomos detectam estrutura gigantesca de ferro misteriosa em nebulosa icônica e buscam respostas

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Uma investigação conjunta entre o University College London (UCL) e a Universidade de Cardiff revelou uma estrutura astronômica surpreendente: uma nuvem de átomos de ferro ionizados em formato de barra situada no centro da icônica Nebulosa do Anel. As dimensões da formação impressionam, com uma extensão equivalente a 500 vezes a órbita de Plutão ao redor do Sol e uma massa comparável à do planeta Marte.

O Dr. Roger Wesson, líder do estudo, relatou que a presença dessa estrutura tornou-se evidente assim que os dados foram processados, revelando um componente até então desconhecido em um dos objetos mais estudados do céu.

A tecnologia por trás da visualização

A detecção foi possível graças ao espectrógrafo WEAVE, acoplado ao Telescópio William Herschel. Esta tecnologia permitiu, de forma inédita, a decomposição da luz em espectros em todos os pontos da nebulosa simultaneamente, cobrindo toda a sua faixa óptica. Com esse mapeamento contínuo, os cientistas conseguiram gerar imagens em qualquer comprimento de onda, facilitando uma análise detalhada da composição química e da morfologia do objeto celeste, algo que as observações anteriores não haviam alcançado com tamanha precisão.

Apesar da descoberta, o mecanismo de formação dessa “barra” de ferro permanece um enigma para a astronomia. A professora Janet Drew, coautora da pesquisa, destaca que o próximo passo fundamental é identificar se outros elementos químicos coexistem com o ferro detectado, o que permitiria criar um modelo teórico preciso sobre sua origem. Atualmente, a ausência dessas informações adicionais impede uma conclusão definitiva sobre como essa massa de metal se organizou de forma tão específica no centro da nebulosa.

O destino do sistema solar espelhado no cosmos

Localizada na constelação de Lira e catalogada originalmente em 1779 por Charles Messier, a Nebulosa do Anel é o resultado da expulsão de camadas de gás de uma estrela em fase terminal. Este fenômeno é de especial interesse para a ciência, pois oferece um vislumbre do futuro do nosso próprio Sistema Solar. De acordo com os pesquisadores, o Sol deverá passar por um processo semelhante daqui a alguns bilhões de anos, ejetando seu envelope externo e criando uma estrutura gasosa comparável à observada agora com o auxílio do WEAVE.

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