Asteroides “invisíveis” perto de Vênus podem estar em rota de colisão com a Terra, alerta astrônomos

Compartilhe

Uma população inteira de asteroides potencialmente perigosos que compartilham a órbita de Vênus pode estar escondida de nossa visão devido à sua proximidade com o Sol, alertam astrônomos. Por estarem mais próximos do centro do Sistema Solar do que a Terra, a luz solar que refletem é ofuscada pelo brilho do Sol, tornando-os extremamente difíceis de detectar.

O astrônomo Valério Carruba, da Universidade Estadual Paulista, no Brasil, explica que esses objetos não fazem parte do cinturão principal de asteroides. “Nosso estudo mostra que há uma população de asteroides potencialmente perigosos que não podemos detectar com os telescópios atuais”, afirma. Eles orbitam o Sol em sincronia com Vênus (chamados coorbitais), mas permanecem invisíveis, apesar de representarem um risco real de colisão com a Terra em um futuro distante.

Uma imagem do Observatório de Dinâmica Solar de Vênus transitando pelo Sol. ( 
NASA/SDO, AIA )
A ponta do iceberg e o risco de Impacto

Até o momento, 20 asteroides coorbitais de Vênus foram identificados. No entanto, os cientistas acreditam que esse número seja apenas a ponta do iceberg, com centenas de outros corpos desconhecidos na região.

O que se sabe sobre esses objetos é que suas órbitas são caóticas e mudam em escalas de tempo relativamente curtas. Durante uma transição orbital, um desses asteroides poderia se aproximar da Terra o suficiente para se tornar um perigo, chegando a cruzar nossa trajetória orbital.

“Asteroides com cerca de 300 metros de diâmetro, que poderiam formar crateras de 3 a 4,5 quilômetros de largura e liberar energia equivalente a centenas de megatons, podem estar escondidos nessa população”, alerta Carruba, enfatizando que um impacto em área povoada causaria “devastação em larga escala”.

Uma ilustração de uma série de excentricidades orbitais. ( Phoenix7777/Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0 )
O desafio da detecção e a solução espacial

A maioria dos coorbitais de Vênus detectados possui uma órbita altamente alongada (alta excentricidade), o que os afasta de Vênus, permitindo que sejam vistos mais facilmente da Terra ao anoitecer.

Carruba e sua equipe simularam asteroides com órbitas menos alongadas e descobriram que muitos deles também representam uma ameaça à Terra. Preocupantemente, observatórios terrestres como o futuro Observatório Vera Rubin, apesar de sua capacidade, teriam uma capacidade limitada de detectá-los, observando-os apenas em épocas específicas do ano.

Essa lacuna no conhecimento representa um problema para a defesa planetária. Os pesquisadores defendem que, embora o Observatório Rubin possa ajudar, apenas uma missão espacial posicionada perto de Vênus ou compartilhando sua órbita seria capaz de mapear e descobrir todos esses “asteroides invisíveis e potencialmente perigosos” remanescentes. Missões futuras, como a NEO Surveyor da NASA, já estão sendo desenvolvidas para tentar resolver esse ponto cego interno do Sistema Solar.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

www.clmbrasil.com.br