Asteroide gigante que gira em velocidade “impossível” chama a atenção de astrônomos

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O Observatório Vera C. Rubin anunciou, na quarta-feira, a identificação de um asteroide com características sem precedentes para o seu porte. Batizado de 2025 MN45, o corpo celeste possui aproximadamente 710 metros de diâmetro — dimensão comparável à extensão de oito campos de futebol americano — e surpreendeu a comunidade científica por sua velocidade de rotação, sendo considerado o mais rápido já registrado em sua categoria de tamanho.

Localizado no cinturão principal de asteroides, entre as órbitas de Marte e Júpiter, o 2025 MN45 completa uma volta completa em torno de seu próprio eixo em apenas 1,88 minutos. O dado é impressionante quando comparado a outros objetos de dimensões semelhantes (acima de 500 metros), que normalmente levam 30 minutos ou mais para realizar o mesmo movimento.

Ciência por trás da velocidade extrema

A determinação desse recorde foi possível graças a uma análise minuciosa da variação do brilho do asteroide ao longo do tempo. Segundo a astrônoma Sarah Greenstreet, da Universidade de Washington, o estudo da rotação é uma janela para entender as propriedades fundamentais do objeto. Para a pesquisadora, o período de rotação oferece pistas valiosas sobre a composição química, a resistência interna e o histórico de impactos sofridos pela rocha espacial ao longo de milênios.

Resistência estrutural e origem de colisões

Um dos pontos que mais intriga os cientistas é a integridade física do 2025 MN45. Para suportar uma rotação tão acelerada sem se desintegrar, o asteroide precisa possuir uma estrutura extremamente sólida. O limite teórico para que um corpo celeste dessa natureza não se rompa pela força centrífuga é de 2,2 horas; girar em menos de dois minutos exige uma coesão material excepcional.

Greenstreet sugere que o objeto seja composto por rocha sólida ou argila densa, possivelmente originado do núcleo de um corpo celeste muito maior que foi fragmentado após uma colisão massiva. A descoberta levanta a hipótese de que existam muitos outros “objetos velozes” no cinturão principal, o que ajudaria os astrônomos a montar o complexo quebra-cabeça da formação e evolução do nosso sistema solar.

Riscos de Impacto e monitoramento

Apesar da velocidade e do tamanho considerável, a localização atual do 2025 MN45 não representa uma ameaça imediata. Embora a gravidade de planetas gigantes possa, ocasionalmente, “empurrar” asteroides do cinturão em direção à Terra, a rocha permanece a centenas de milhões de quilômetros de distância. A NASA reforçou a tranquilidade pública ao afirmar que, com base nos dados atuais, é improvável que qualquer asteroide de grande magnitude atinja o nosso planeta no próximo século. O estudo detalhado sobre a descoberta foi formalmente publicado no periódico científico The Astrophysical Journal Letters.

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