Anvisa alerta: uso irresponsável de “canetas emagrecedoras” pode causar pancreatite fatal
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) emitiu um novo comunicado nesta segunda-feira (9) reforçando os perigos associados ao uso indiscriminado de medicamentos voltados para o tratamento de obesidade e diabetes.
O foco do alerta é a incidência de pancreatite aguda, uma inflamação severa no pâncreas que pode evoluir para quadros necrotizantes e até levar ao óbito. Segundo a agência, o monitoramento médico rigoroso é indispensável para mitigar esses eventos adversos graves, que têm apresentado um aumento nas notificações tanto no Brasil quanto no exterior.
Histórico de notificações e segurança do paciente
Embora a pancreatite já esteja listada como um efeito possível nas bulas aprovadas, o volume de registros recentes acendeu o sinal amarelo para as autoridades. Entre 2020 e dezembro de 2025, o Brasil contabilizou 145 notificações de suspeitas de eventos adversos relacionados a esses fármacos, com seis casos que resultaram em morte.
Apesar dos números, a Anvisa esclarece que o perfil de segurança das substâncias não mudou; a eficácia do tratamento continua superando os riscos, desde que o uso siga estritamente as indicações médicas e as dosagens recomendadas. O problema central reside no uso estético e sem acompanhamento, que mascara sintomas e dificulta diagnósticos precoces.
Complicações anteriores e novos monitoramentos
Esta não é a primeira vez que a classe dos análogos de GLP-1 — hormônio que estimula a produção de insulina — entra no radar da agência brasileira. Nos últimos anos, outros alertas foram publicados, incluindo riscos de aspiração durante anestesias em 2024 e casos raros de perda de visão associados à semaglutida em 2025.
A vigilância contínua busca garantir que o entusiasmo pelo emagrecimento rápido não se sobreponha à segurança clínica dos pacientes.
Cenário internacional e registros no Reino Unido
A preocupação brasileira ecoa medidas tomadas em outros países. No final de janeiro, a Agência Reguladora de Medicamentos e Produtos de Saúde do Reino Unido (MHRA) também se manifestou sobre o uso de medicamentos como o Mounjaro (tirzepatida).
Os dados britânicos são expressivos: entre 2007 e outubro de 2025, foram registradas 1.296 notificações de pancreatite em usuários dessa classe de fármacos, com 19 mortes confirmadas. O órgão britânico ressaltou que a condição é séria e exige intervenção imediata.
Sinais de alerta e a importância da receita médica
Para garantir a segurança de quem utiliza esses tratamentos, as autoridades de saúde destacam sintomas que exigem busca imediata por socorro médico, como dor abdominal intensa e persistente que pode se espalhar para as costas, frequentemente acompanhada de náuseas ou vômitos.
Além disso, as agências reforçam que medicamentos como Ozempic e Mounjaro jamais devem ser adquiridos sem prescrição. A compra deve ser feita exclusivamente em farmácias registradas, combatendo a automedicação e o crescente mercado de produtos falsificados.


