Ameaça do vírus mortal Nipah faz países asiáticos blindarem aeroportos e fronteiras; Paquistão impõe medidas

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O surgimento de dois novos casos do vírus mortal Nipah no estado de Bengala Ocidental, na Índia, disparou um alerta sanitário em todo o continente asiático.

Países como Paquistão, Tailândia, Singapura, Malásia, Vietnã e a região de Hong Kong anunciaram o reforço imediato da triagem em aeroportos, portos e fronteiras terrestres.

O objetivo principal das autoridades é conter a propagação de um patógeno que, embora não seja de fácil transmissão entre humanos, possui uma taxa de letalidade alarmante, variando entre 40% e 75%.

Medidas rigorosas de controle nas fronteiras

No Paquistão, o departamento de Serviços de Saúde de Fronteira classificou como “imprescindível” o fortalecimento da vigilância. Todos os viajantes que entram no país agora passam por triagem térmica e avaliações clínicas detalhadas.

Além disso, as autoridades exigem o histórico de trânsito dos últimos 21 dias para identificar se o passageiro esteve em áreas consideradas de alto risco. No Vietnã, o departamento de saúde de Hanói ordenou protocolos semelhantes no aeroporto de Noi Bai, focando especialmente em quem chega da Índia.

Medidas análogas foram adotadas em Singapura e Hong Kong, onde scanners de temperatura foram posicionados estrategicamente nos portões de embarque e desembarque.

Na Tailândia e na Malásia, o controle inclui o preenchimento de declarações de saúde obrigatórias e áreas de estacionamento específicas para aeronaves vindas de regiões afetadas, buscando isolar possíveis ameaças antes mesmo do contato com a população local.

A situação na Índia e o perfil do vírus

Os casos confirmados em Bengala Ocidental envolveram dois profissionais de saúde, que já estão em tratamento hospitalar. Segundo o Ministério da Saúde da Índia, a situação está sob controle: 196 contatos diretos foram monitorados e todos testaram negativo para o vírus.

As autoridades indianas destacaram que, apesar do alarme internacional, não há evidências de uma ameaça ampla à saúde pública no momento, reforçando que números especulativos sobre o surto devem ser evitados.

O vírus Nipah é transmitido originalmente por morcegos frugívoros (conhecidos como raposas-voadoras) e animais como porcos. A infecção humana ocorre geralmente pelo consumo de frutas contaminadas por esses animais ou pelo contato direto com fluidos corporais de indivíduos infectados.

Embora cientistas acreditem que o vírus circule na natureza há milênios, ele foi identificado pela primeira vez há cerca de 25 anos, em um surto na Malásia e Singapura.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) classifica o Nipah como um patógeno prioritário para pesquisa. A preocupação reside na ausência de vacinas ou tratamentos licenciados, além do medo de mutações que possam tornar o vírus mais transmissível.

Atualmente, diversas vacinas estão em fase de testes clínicos, financiadas por coalizões internacionais como a CEPI. Até o final de 2025, o vírus acumulava cerca de 750 casos históricos no mundo, resultando em 415 mortes, o que reforça a necessidade de vigilância constante em regiões de risco recorrente, como o sul da Índia e Bangladesh.

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