Aliado de Eduardo Bolsonaro propõe que PL lance candidato próprio contra Tarcísio
O cenário político na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) ganhou novos contornos de tensão nesta terça-feira, 3. O deputado estadual Gil Diniz (PL) utilizou a tribuna para questionar abertamente a aliança com o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), defendendo que o Partido Liberal lance um nome próprio para a disputa ao Palácio dos Bandeirantes.
Ao ironizar a lógica adotada pelo governador em conversas recentes com Jair Bolsonaro — na qual múltiplas candidaturas de direita ajudariam a enfrentar o governo federal —, Diniz sugeriu que o mesmo princípio deveria ser aplicado em solo paulista para fortalecer as chapas de deputados estaduais e federais da sigla.
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A movimentação de Gil Diniz ocorre em um momento de delicada articulação política. Enquanto o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, trabalha para emplacar André do Prado como vice na chapa de reeleição de Tarcísio, Diniz adota uma postura de confronto. O parlamentar, que é aliado próximo de Eduardo Bolsonaro e utiliza o sobrenome “Bolsonaro” em sua identificação oficial na Alesp, nega que a adoção do nome tenha fins eleitorais, classificando o ato como uma marcação de posição em defesa da família do ex-presidente. Cotado para disputar o Senado, ele é visto como o nome de confiança de Eduardo para a sucessão política na Casa.
Bastidores de uma disputa por liderança e influência
O atrito entre o deputado e o governador não é recente e possui raízes na organização interna da Alesp. No final do ano passado, Tarcísio de Freitas atuou diretamente nos bastidores para barrar a ascensão de Gil Diniz à liderança da bancada do PL. O governador manifestou preferência por Alex Madureira para o posto, buscando um perfil mais moderado e alinhado aos interesses do Executivo. A escolha de um interlocutor menos independente foi vista por Tarcísio como essencial para garantir a governabilidade e evitar turbulências nas votações de projetos estratégicos durante o ano eleitoral.
Incomodo na família Bolsonaro e os riscos para a reeleição
A intervenção direta de Tarcísio contra um dos principais nomes do bolsonarismo na Assembleia gerou descontentamento na cúpula da família Bolsonaro. Interlocutores afirmam que Eduardo Bolsonaro viu o movimento do governador como uma afronta a um aliado histórico. Para Tarcísio, a resistência a nomes como o de Diniz é puramente pragmática, baseada no temor de que uma liderança radicalizada dificulte a articulação política. No entanto, o tom adotado por Gil Diniz no plenário sinaliza que o PL, maior partido do estado, pode cobrar um preço alto pelo apoio à reeleição do governador, colocando em xeque a unidade da direita paulista.


