Advogado de Vorcaro entrega defesa do Caso Master contra acordo de delação

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O cenário jurídico em torno de Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, sofreu uma alteração significativa nesta quarta-feira (21) com a saída do advogado Walfrido Warde de sua equipe de defesa.

O movimento ocorre em um momento de crescente pressão sobre o banqueiro, alimentando especulações de bastidores sobre a possibilidade de Vorcaro aderir a um acordo de colaboração premiada.

A decisão de Warde de deixar o caso estaria fundamentada em sua discordância técnica em relação a essa estratégia, uma vez que a delação pressupõe que o investigado forneça informações em troca de benefícios penais.

Apesar das movimentações que sugerem a proximidade de um acordo, a defesa oficial de Daniel Vorcaro nega enfaticamente qualquer negociação de colaboração premiada. Em nota, os representantes do banqueiro reafirmam sua inocência e declaram que ele permanece exercendo seu direito de defesa e colaborando com as autoridades dentro dos limites do devido processo legal.

Na última semana, o próprio Vorcaro manifestou interesse no esclarecimento célere das investigações conduzidas pela Polícia Federal, que ganharam tração após novas fases operacionais.

O colapso do Banco Master e o esquema investigado

O escândalo financeiro ganhou contornos nacionais no final do ano passado, quando o Banco Central decretou a liquidação do Banco Master após identificar uma fraude bilionária vinculada ao Banco de Brasília (BRB). As investigações apontam para um esquema estruturado de captação de recursos e aplicações em fundos que, posteriormente, seriam desviados para o patrimônio pessoal de Vorcaro e seus familiares.

A Polícia Federal já realizou buscas contra parentes próximos do banqueiro e apreendeu bens de luxo, incluindo carros importados e relógios, além de valores em espécie na residência onde o empresário cumpre prisão domiciliar.

As apurações da PF alcançam outros nomes de peso no mercado financeiro e empresarial. O empresário Nelson Tanure, conhecido por sua atuação em empresas em crise, teve seu aparelho celular apreendido em uma abordagem recente. Outro ponto central da investigação é João Carlos Mansur, da Reag Investimentos. A gestora é suspeita de participar de fraudes financeiras em parceria com o Master e já vinha sendo monitorada desde 2025 por supostas ligações com o mercado de combustíveis e o crime organizado.

Conflito institucional e sigilo no STF

A repercussão do caso transbordou a esfera criminal e atingiu o campo institucional, gerando tensões no Tribunal de Contas da União (TCU), que ordenou inspeções sobre o processo de liquidação do banco. Paralelamente, o Banco Central relatou ter sido alvo de ataques digitais e campanhas de desinformação orquestradas para descredibilizar sua fiscalização. Atualmente, o processo tramita sob sigilo rigoroso no Supremo Tribunal Federal, sob a relatoria do ministro Dias Toffoli, que restringiu o acesso às provas técnicas colhidas pela Polícia Federal a um grupo seleto de peritos.

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