Rússia reativa o complexo ‘Mão Morta’ para retaliação nuclear enquanto Europa se prepara para guerra
Uma investigação jornalística internacional de peso, conduzida em conjunto pela Danwatch, pelo The Sunday Times e pelo Dossier Center e publicada em 26 de setembro, revelou que a Rússia concluiu uma mega-modernização no Objeto 1335, um complexo de comando subterrâneo hiperprotegido escondido nas profundezas do Monte Kosvinsky, nos Montes Urais. O local está diretamente ligado ao lendário sistema Perimetr, conhecido no Ocidente como a “Mão Morta”, remanescente da Guerra Fria e projetado para garantir um ataque nuclear de retaliação automática mesmo se toda a cúpula de comando do país for eliminada.
O colossal esforço de engenharia, que começou por volta de 2018 na região de Sverdlovsk, veio à tona após a análise minuciosa de mais de dois milhões de documentos de aquisição militar russa. Os registros detalham o envio de cerca de 22 mil toneladas de aço, mais de 56 mil toneladas de cimento, aproximadamente 600 quilômetros de cabos elétricos e sistemas de filtragem de ponta para defesa contra contaminação química, biológica e radioativa. Segundo o The Sunday Times, a instalação abriga pelo menos 24 câmaras subterrâneas e túneis tão vastos que ex-funcionários relatam a circulação de ônibus entre os diferentes setores do complexo, que foi oficialmente colocado em serviço ativo de combate em 2023.
Automação e resiliência nuclear: os olhos e ouvidos do Perimetr
O Objeto 1335 funciona como o epicentro protegido das Forças de Mísseis Estratégicos da Rússia, garantindo a espinha dorsal do sistema Perimetr. Conforme apontou Pavel Podvig, renomado especialista em desarmamento nuclear, o mecanismo atua como uma rede de comunicação ultra-resiliente para transmitir ordens de revide supremo.
Publicações militares obtidas pelos investigadores mostram que a infraestrutura foi significativamente aprimorada com novas camadas de automação, postos de comando móveis e sistemas de comunicação baseados no espaço, conforme detalhado pelo major-general reformado VG Khalin.
Essa modernização da infraestrutura subterrânea caminha lado a lado com testes dinâmicos de campo. Em 2 de abril, as forças russas realizaram manobras de grande escala na Sibéria mobilizando sistemas móveis de mísseis balísticos intercontinentais RS-24 Yars. As tropas treinaram protocolos complexos de dispersão, combate e simulação de operações sob contaminação radioativa. O Yars, com alcance estimado em até 11 mil quilômetros e capacidade de carregar múltiplas ogivas com alvos independentes, consolida o esforço do Kremlin para manter seu arsenal estratégico em máximo estado de prontidão.
O alerta na Europa: o contragolpe e os preparativos da OTAN
Diante da consolidação dessa infraestrutura subterrânea russa e do avanço de suas capacidades atômicas, os países membros da Aliança Atlântica (OTAN) intensificaram drasticamente seus preparativos de defesa e planos de contingência para um possível confronto em larga escala. Nações da linha de frente e potências europeias mudaram o tom de sua prontidão militar, reavaliando doutrinas de defesa civil, reforçando arsenais convencionais e acelerando programas de integração logística diante da ameaça latente de Moscou.
França e Reino Unido: Como as principais potências nucleares europeias, Paris e Londres intensificaram os exercícios de dissuasão estratégica conjunta e reavaliaram a segurança de suas infraestruturas críticas e linhas de suprimento para cenários de crise extrema na Europa Oriental.
Alemanha: Berlim acelerou a implementação do seu plano de rearmamento estratégico (Zeitwende), investindo pesadamente na modernização de sua força aérea, defesas antiaéreas e na infraestrutura de abrigos civis que estavam desativados desde o fim da Guerra Fria.
Polônia e os Estados Bálticos (Lituânia): A Polônia expandiu agressivamente o recrutamento e a compra de blindados e artilharia pesada, enquanto a Lituânia reforçou suas fronteiras com fortificações físicas, campos minados virtuais e acordos de deslocamento rápido de tropas da OTAN.
Suécia e Finlândia: Os mais novos membros da Aliança integraram rapidamente seus sistemas de defesa nórdicos, modernizando abrigos subterrâneos civis em massa — capazes de acomodar grande parte da população — e intensificando o monitoramento do Mar Báltico contra incursões russas.