Moradores são evacuados às pressas após trincas ameaçarem romper barragem no Rio Grande do Sul
Moradores de São Marcos, na Serra Gaúcha, enfrentam forte tensão devido ao risco iminente de rompimento da Barragem Arroio São Luiz. A Defesa Civil do Estado emitiu um aviso severo de perigo muito alto, direcionado aos imóveis situados nas proximidades da estrutura e ao longo das margens do Rio Jaguari. O cenário de alerta máximo mobilizou forças de segurança, órgãos municipais e a concessionária responsável pela operação na região.
Um alerta por meio da tecnologia Cell Broadcast foi disparado para os celulares da população local no final da tarde, orientando a preparação imediata para a evacuação das áreas de risco. Cerca de 170 pessoas que habitavam a zona potencialmente atingida já foram retiradas de suas moradias de forma preventiva. O grupo foi realocado temporariamente para hotéis da região, com custos arcados pela companhia, ou para a residência de familiares, contando com o acompanhamento de equipes de assistência social.
Impactos na rotina e chuvas históricas que provocaram os danos
A instabilidade climática extrema na Serra Gaúcha foi a principal causa da emergência. Em apenas 24 horas, o município registrou um volume de 174 milímetros de precipitação, superando a média climatológica esperada para todo o mês de setembro, que é de 163 milímetros. O excesso de água provocou uma sobrecarga no reservatório e levou a vistorias intensificadas que revelaram fissuras no vertedouro e em partes do contraforte da barragem.
Como desdobramento imediato da crise, a rotina da cidade sofreu alterações significativas. As aulas em uma escola da rede pública situada na rota de inundação foram suspensas por tempo indeterminado e trechos de estradas nas imediações precisaram ser bloqueados. O coordenador da Defesa Civil destacou que os protocolos de segurança exigem planejamento rigoroso e evacuação preventiva em um raio de até 10 quilômetros a jusante da estrutura para resguardar vidas humanas.
Ações de emergência e instalação de bombas para esvaziamento
Para mitigar o risco de colapso, a Corsan mobilizou equipes de engenharia e especialistas em segurança de barragens para realizar diagnósticos detalhados no local. A descarga de fundo foi acionada para permitir o escoamento controlado do volume acumulado, enquanto equipamentos de bombeamento de grande porte foram instalados para acelerar a retirada de água e aliviar a pressão exercida sobre o paredão.
O volume do reservatório, que inicialmente operava com cerca de 138 mil metros cúbicos de água, apresentou redução gradual após o início das manobras operacionais. Um gabinete de crise foi instalado no município para coordenar as ações conjuntas entre o poder público, a Defesa Civil e a Corsan. O laudo técnico definitivo, que orientará as próximas etapas de manutenção e definirá se o nível de segurança da área permite o retorno dos moradores, tem conclusão prevista para esta sexta-feira.