Maioria dos brasileiros avalia que Moraes errou ao proibir Flávio Bolsonaro de visitar o pai, aponta pesquisa
Uma pesquisa do Datafolha divulgada nesta terça-feira aponta que 59% da população brasileira consideram que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), agiu mal ao proibir o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), atualmente em prisão domiciliar em Brasília. Em contrapartida, 35% avaliam que a conduta foi correta, enquanto 2% afirmam que o magistrado não agiu nem bem nem mal, e 4% não souberam responder. O levantamento ocorreu entre os dias 22 e 23 de julho, ouvindo 2.004 pessoas com 16 anos ou mais em 139 municípios, com margem de erro de dois pontos percentuais.
A defesa do ex-presidente classificou a decisão como excessiva e desproporcional, argumentando que a medida restringe o convívio familiar entre pai e filho. A restrição, com validade de 90 dias, foi estabelecida no dia 13 após o parlamentar divulgar nas redes sociais uma carta escrita por Bolsonaro sobre sua campanha presidencial.
Impasse sobre o regime de cumprimento de pena
O levantamento do Datafolha também mediu a opinião pública acerca do local onde o ex-presidente cumpre sua condenação de 27 anos e três meses por tentativa de golpe de Estado. Para 59% dos entrevistados, Bolsonaro deve permanecer cumprindo a pena em casa, mantendo o formato determinado por Moraes. Por outro lado, 35% defendem que ele retorne ao presídio.
As condições impostas na prisão domiciliar humanitária — concedida em março e mantida recentemente — exigem o uso de tornozeleira eletrônica. O ex-presidente está proibido de utilizar celulares, telefones ou quaisquer outros meios de comunicação externa, seja de forma direta ou por intermédio de terceiros, além de ter o veto total ao uso de redes sociais e à divulgação de fotos ou vídeos seus nessas plataformas.
Entenda a motivação da punição ao senador
De acordo com a avaliação de Alexandre de Moraes, Flávio Bolsonaro utilizou o acesso ao pai para obter um documento criado com o propósito exclusivo de ser publicado na internet, contornando a proibição de uso de plataformas digitais imposta ao ex-presidente. A penalidade foi aplicada após a publicação de um vídeo em que o senador anunciava e, posteriormente, realizava a leitura integral de uma “carta aos brasileiros” escrita pelo pai.
No texto, o ex-presidente convoca apoiadores a apoiarem a pré-candidatura presidencial do filho, apontando-o como seu principal porta-voz. Para o ministro do STF, o próprio discurso do senador evidenciou que a mensagem foi concebida para ampla divulgação pública, configurando um desvio de finalidade no exercício do direito de visita.
Impacto na campanha eleitoral e histórico de descumprimento
Com a suspensão das visitas por 90 dias, o senador ficará impedido de manter contato presencial com o pai durante todo o período da campanha do primeiro turno, marcado para o dia 4 de outubro, com restrição passível de revisão apenas após 11 de outubro.
Moraes justificou a medida destacando a reincidência de Flávio no descumprimento de ordens judiciais relacionadas ao pai. O magistrado relembrou um episódio de agosto de 2025, quando o parlamentar divulgou a participação telefônica de Jair Bolsonaro em um ato político em Copacabana, apesar das vedações vigentes na época. Embora a publicação tenha sido apagada posteriormente, o caso resultou na decretação inicial da prisão domiciliar, reforçando, segundo o tribunal, a reincidência em burlar as restrições da Justiça.