Israel e Líbano assinam acordo de paz mediado pelos EUA, isolando o Irã
Os governos dos Estados Unidos, Israel e Líbano selaram um acordo-quadro nesta sexta-feira, em Washington, após dias de intensas negociações diplomáticas. Segundo autoridades das três nações, o tratado visa garantir o fim definitivo dos combates entre as forças israelenses e o grupo Hezbollah, que conta com o apoio financeiro e militar do Irã.
O anúncio oficial foi feito pelo Secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio. Embora tenha celebrado o avanço, o chefe da diplomacia dos EUA adotou um tom cauteloso ao afirmar que ainda há muito trabalho pela frente para a consolidação da paz na região.
Soberania e desarmamento
De acordo com Rubio, o documento assinado estabelece um cronograma e um processo claro focado em três pilares: a restauração da soberania do Líbano, o desarmamento do Hezbollah e o desmantelamento completo de sua infraestrutura militar. Como parte do plano, os Estados Unidos vão facilitar a criação de um Grupo de Coordenação Militar trilateral para supervisionar a transição.
O pacto também prevê o retorno das tropas de Israel às suas fronteiras originais, mas isso só ocorrerá quando as ameaças contra os cidadãos israelenses forem totalmente neutralizadas. O embaixador de Israel nos EUA, Yechiel Leiter, reforçou essa condição ao explicar que a estrutura do tratado é inteiramente baseada em desempenho e no cumprimento de metas, condicionando a retirada militar à erradicação do terrorismo no território libanês.
Pronunciamento de Netanyahu e zonas piloto
Em pronunciamento gravado em vídeo antes do início do Shabat, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, classificou o desfecho das negociações como uma “grande conquista” para o Estado de Israel. O premiê enfatizou o isolamento do regime de Teerã no novo cenário geopolítico, declarando de forma categórica que o Irã não tem mais qualquer papel a desempenhar no Líbano e que o assunto não é mais da conta dos iranianos.
Netanyahu detalhou que o plano prevê uma coordenação direta com o exército oficial do Líbano para transferir o controle de territórios específicos. Com base em recomendações técnicas das Forças de Defesa de Israel (IDF), serão criadas duas zonas piloto: uma situada totalmente fora da zona de segurança, ao sul do rio Litani, e outra menor ao norte do rio, em uma área expandida que os militares israelenses consideraram dispensável.
Apesar do início da transição, o primeiro-ministro assegurou que as tropas israelenses vão manter o controle sobre a zona de segurança original por tempo indeterminado. Netanyahu encerrou o comunicado reafirmando a postura de seu governo de que a segurança nacional de Israel permanece como a prioridade absoluta em qualquer desdobramento do acordo.