André Mendonça aguarda parecer crucial da PGR sobre destino de Daniel Vorcaro
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), aguarda um posicionamento oficial da Procuradoria-Geral da República (PGR) para definir os próximos passos do caso envolvendo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Preso preventivamente desde março no âmbito da Operação Compliance Zero, o investigado tenta selar um acordo de colaboração premiada. A manifestação do órgão será determinante não apenas para o futuro das investigações, mas também para definir se o custodiado permanecerá sob custódia da Polícia Federal ou se será transferido para uma penitenciária comum.
Resistência da Polícia Federal e risco de transferência
Atualmente detido na Superintendência Regional da Polícia Federal, em Brasília, Vorcaro enfrenta forte resistência da corporação para continuar no local. Após rejeitar a segunda proposta de delação premiada apresentada pelos advogados do ex-banqueiro, a PF passou a defender formalmente sua transferência para o sistema prisional comum. Na avaliação dos investigadores, a manutenção do preso nas dependências da instituição perdeu o sentido técnico, uma vez que as negociações diretas com a polícia foram encerradas.
Rejeição por falta de provas inéditas
O principal motivo para a Polícia Federal recusar as investidas de Vorcaro foi a ausência de fatos e elementos considerados inéditos. Sob investigação por supostas fraudes no sistema financeiro, o ex-banqueiro tem mantido contato constante com sua defesa para estruturar os termos do acordo desde o início de sua detenção, em 19 de março. Apesar dos esforços, as duas primeiras tentativas de delação não trouxeram dados substanciais que justificassem os benefícios da colaboração com a PF.
Apesar do revés com a polícia, o cenário ganhou novos contornos após a primeira versão do acordo ser apresentada à PGR, em maio. O órgão demonstrou interesse em aprofundar a análise de determinados pontos e autorizou a complementação do material. Diante disso, o ex-banqueiro reformulou sua linha de defesa, trocou a banca de advogados e preparou novos anexos na tentativa de convencer o Ministério Público da relevância de seus relatos.
Na nova versão submetida à análise, Vorcaro detalhou supostos esquemas de influência política que teriam facilitado investimentos bilionários de fundos de previdência de servidores estaduais em ativos ligados ao Banco Master.
A palavra final sobre a viabilidade jurídica do acordo está agora com o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e sua equipe, que avaliam os novos termos e devem emitir um parecer nos próximos dias. Caso a PGR decida rejeitar em definitivo a delação, Vorcaro responderá ao processo sem os benefícios da imunidade ou redução de pena. Diante desse risco, os novos defensores do ex-banqueiro já articulam pedidos alternativos ao STF, como a conversão da prisão preventiva em regime domiciliar ou a concessão de liberdade condicionada ao uso de tornozeleira eletrônica.