Ataques pesados de Israel em Tiro deixam mortos e feridos enquanto Trump corre contra o tempo por acordo
O sul do Líbano voltou a ser palco de intensos bombardeios israelenses. Um ataque aéreo na cidade de Tiro deixou pelo menos oito mortos e 32 feridos, segundo dados provisórios divulgados pelo Ministério da Saúde libanês. A ofensiva ocorreu pouco antes de as Forças de Defesa de Israel (FDI) emitirem um alerta formal de evacuação para toda a região. A Agência Nacional de Notícias (NNA), órgão estatal do Líbano, confirmou que as explosões começaram antes do aviso, e as FDI preferiram não comentar de imediato sobre o momento exato da operação.
As ordens de evacuação emitidas por Israel para Tiro — a quinta maior cidade do país — incluíram, pela primeira vez, o bairro cristão, uma área que até então vinha sendo poupada da destruição generalizada. O comando militar israelense justificou a inclusão do perímetro alegando a presença de bases do Hezbollah no local, embora não tenha apresentado provas públicas dessa afirmação. Relatos locais indicam que um “ataque pesado” sucedeu os alertas, provocando uma fuga em massa de civis, registrada em imagens de estradas congestionadas e colunas de fumaça sobre a cidade. O cenário de devastação soma-se a outro bombardeio recente na mesma região, que deixou cinco mortos e feriu paramédicos perto de um posto da Cruz Vermelha. Além disso, as FDI relataram um incidente na fronteira norte, onde soldados israelenses teriam matado um suposto extremista após uma troca de tiros.
Trump mantém otimismo sobre acordo iminente com Teerã
Enquanto o conflito em solo libanês se intensifica, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reforçou publicamente sua convicção de que um desfecho diplomático com o Irã está muito próximo. Em declarações recentes, o republicano insistiu que as negociações para encerrar o conflito — iniciado no fim de fevereiro por Washington e Tel Aviv — entraram na “reta final” e que um pacto “forte e poderoso” pode ser firmado em poucos dias. Segundo o mandatário, o principal objetivo do tratado é garantir de forma absoluta que o Irã não obtenha armas nucleares, além de reabrir permanentemente rotas marítimas vitais.
Apesar do tom confiante de Trump, que afirmou não enxergar grandes obstáculos para a assinatura do documento, analistas apontam que promessas semelhantes foram feitas pelo presidente nas semanas seguintes ao cessar-fogo de abril, sem que nenhum resultado prático tenha se concretizado até o momento. A Casa Branca defende que a via diplomática é a melhor alternativa, classificando um acordo formal como uma solução mais robusta e eficaz do que a continuidade das campanhas de bombardeio na região.
Tensões militares na região e o risco de um conflito total
A volatilidade da situação ficou evidente após uma recente troca direta de agressões entre Israel e Irã, desencadeada por um bombardeio israelense em Beirute que gerou forte retaliação de Teerã. Embora ambos os lados tenham recuado após a interferência direta de Trump, o Ministério da Defesa iraniano confirmou a morte de dois membros de sua unidade de defesa aérea durante as incursões e deixou claro que a trégua é frágil. O governo iraniano alertou que novas hostilidades, especialmente no sul do Líbano, provocarão respostas significativamente mais severas.
Paralelamente às discussões políticas, o cenário no Estreito de Ormuz continua crítico. As forças navais dos EUA precisaram utilizar uma embarcação autônoma não tripulada para resgatar dois militares após a queda de um helicóptero na região. Trump confirmou ter conversado com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, validando o direito de resposta de Israel após os ataques sofridos, mas reiterando que intermediou o recuo momentâneo. O futuro das negociações permanece incerto, uma vez que as ações militares contínuas de Israel no Líbano testam diretamente os limites da paciência de Teerã e a capacidade de mediação de Washington.