PCC e CV entram oficialmente para a lista de organizações terroristas dos EUA a partir de hoje
O cenário da segurança pública e das relações internacionais ganhou um novo capítulo nesta sexta-feira (5). O Departamento de Estado dos Estados Unidos oficializou a classificação das facções brasileiras Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas. A diplomacia americana justificou a medida apontando os dois grupos como os mais violentos do Brasil, destacando que suas capacidades operacionais e de influência há muito tempo ultrapassaram as fronteiras nacionais.
Em comunicado oficial, o governo norte-americano enfatizou que o CV e o PCC comandam juntos milhares de integrantes e foram responsáveis por articular ataques brutais contra civis, policiais e agentes públicos brasileiros. A pasta dos Assuntos Externos dos EUA alertou que as redes ilícitas dessas facções se estendem por toda a América Latina e já alcançam o próprio território estadunidense, o que motivou a elevação do status de ameaça desses grupos.
Impacto prático e sanções econômicas severas
Com a nova determinação, as facções brasileiras passam a integrar a lista de Organizações Terroristas Estrangeiras (FTOs, na sigla em inglês), considerada um dos mecanismos mais rígidos da legislação dos Estados Unidos. Esse rol conta atualmente com mais de 90 grupos, dividindo espaço com organizações como a Al-Qaeda, o Estado Islâmico, o Hamas e grandes cartéis latino-americanos. A medida se soma a uma classificação anterior, que já tratava os dois grupos como Terroristas Globais Especialmente Designados (SDGT), focada no estrangulamento financeiro.
A convergência dessas duas classificações confere aos Estados Unidos o poder de ampliar severamente as sanções financeiras. Na prática, o governo americano ganha prerrogativa legal para congelar quaisquer ativos sob sua jurisdição e proibir terminantemente que empresas ou cidadãos mantenham relações econômicas com indivíduos ligados ao PCC ou ao CV. Adicionalmente, os membros das facções ficam proibidos de ingressar nos EUA, e os bancos norte-americanos são obrigados a reportar imediatamente ao Departamento do Tesouro qualquer movimentação de fundos suspeita, sob pena de severas punições civis e criminais.
O Departamento de Estado reforçou que a ação reflete o compromisso da administração Trump em desmantelar cartéis e proteger a segurança nacional. A estratégia central visa cortar os fluxos de receita que financiam o narcoterrorismo, impedindo a entrada de drogas ilícitas nas ruas americanas.
A divergência jurídica e a reação do Brasil
Apesar da forte ofensiva norte-americana, o enquadramento dessas facções no Brasil segue uma lógica jurídica diferente devido à Lei Antiterrorismo (Lei nº 13.260). A legislação brasileira determina que o terrorismo se configura por atos violentos que buscam provocar terror social motivados especificamente por xenofobia, religião, ideologia política ou preconceito. Como a atuação do PCC e do CV é pautada predominantemente pelo ganho econômico e pelo crime comum, o ordenamento jurídico nacional não as tipifica como grupos terroristas, uma vez que falta o componente de motivação ideológica ou política para desestabilizar as instituições do Estado.
O anúncio da medida, que vinha sendo desenhado desde o fim de maio, gerou desconforto imediato nos bastidores do poder em Brasília. O governo brasileiro iniciou conversas diplomáticas na tentativa de reverter a decisão de Washington. Paralelamente, movimentos sociais e instituições brasileiras demonstraram forte preocupação com a postura dos EUA, criticando a medida por enxergar nela uma potencial interferência na soberania nacional, além de temerem reflexos negativos na economia e na autonomia do país para gerir sua própria segurança.