Em nova tentativa, dono do Banco Master apresenta nova versão de delação à PF e PGR
A defesa do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, apresentou uma nova versão de sua proposta de delação premiada em reunião realizada na última segunda-feira com integrantes da Polícia Federal (PF) e da Procuradoria-Geral da República (PGR). O movimento foi seguido por um adendo documental entregue pelo advogado na terça-feira. Uma nova rodada de conversas estava prevista para esta quarta-feira, mas acabou cancelada a pedido dos investigadores, que solicitaram mais tempo para analisar o novo teor do documento.
O processo de colaboração — mecanismo jurídico em que o investigado repassa informações cruciais sobre esquemas criminosos em troca de redução de pena — segue sob forte impasse. No mês passado, a PF já havia rejeitado a primeira versão dos anexos entregues pela defesa em um pen drive. Atualmente, as tratativas continuam sendo conduzidas de forma conjunta pelas duas instituições, embora sob visões distintas.
Resistência dos investigadores e ampliação das suspeitas
O principal ponto de atrito reside na qualidade das informações fornecidas inicialmente. Investigadores vinham manifestando insatisfação, sob o argumento de que o material acrescentava pouco ao que já havia sido descoberto pela PF. Havia, inclusive, a suspeita de que Vorcaro estaria omitindo dados para proteger pessoas de seu círculo próximo. A PGR advertiu a defesa de que, para o acordo avançar, seria indispensável refazer integralmente o roteiro da delação.
Paralelamente, a extração de dados de parte dos mais de oito celulares apreendidos com o banqueiro agravou sua situação jurídica. A perícia inicial revelou indícios de crimes que extrapolam fraudes financeiras, apontando para práticas de corrupção, organização criminosa e até a utilização de uma milícia privada para atacar opositores e acessar informações sigilosas.
Mudança de regime e histórico da prisão
Diante do avanço das investigações, a PF solicitou e obteve a transferência de Vorcaro para uma cela comum na Superintendência da Polícia Federal em Brasília, onde ele passou a ser submetido às rígidas regras internas de visitação. Anteriormente, o banqueiro ocupava uma sala com prerrogativas de Estado-maior — mesmo local onde o ex-presidente Jair Bolsonaro ficou detido entre novembro de 2025 e janeiro deste ano.
A aproximação com as autoridades começou em 18 de março, quando a defesa manifestou formalmente o interesse em colaborar, logo após o banqueiro ser transferido da Penitenciária Federal para o centro da capital. No dia seguinte, Vorcaro assinou um termo de confidencialidade, dando início ao desenho dos anexos que foram concluídos e entregues no início de maio.
O eixo central das negociações gira em torno da devolução de ativos financeiros e da apresentação de provas concretas sobre a participação de autoridades públicas em atos ilícitos. Interlocutores do banqueiro confirmaram que, em 22 de maio, Vorcaro aceitou elevar de R$ 40 bilhões para R$ 60 bilhões o montante a ser ressarcido aos cofres públicos como tentativa de viabilizar o acordo.
Apesar de a Polícia Federal ter rejeitado a proposta devido à insuficiência do conteúdo, a PGR optou por manter os canais de diálogo abertos. A defesa do dono do Banco Master mantém o otimismo de que as negociações com o Ministério Público Federal possam evoluir, desde que as novas exigências financeiras e de detalhamento dos crimes sejam plenamente atendidas. Os investigadores reforçam que a lógica das tratativas é estritamente técnica, sem alvos predefinidos ou blindagens.