Fenômeno raro vai mudar a aparência da Lua e poderá ser visto no Brasil; confira como observar
O mês de maio vai se despedir com um evento duplo e raro nos céus que promete chamar a atenção de entusiastas da astronomia. Na noite deste sábado para domingo, ocorre o fenômeno da Microlua Azul, uma combinação astronômica incomum que não se repetirá pelos próximos dois anos. O espetáculo poderá ser observado em todo o Brasil e combina duas características peculiares do nosso satélite natural em uma mesma noite.
A expressão “Lua Azul” não tem relação com a tonalidade do astro, que manterá seu brilho prateado tradicional. Trata-se, na verdade, do termo usado para designar a segunda lua cheia que ocorre dentro de um mesmo mês civil. Como o ciclo lunar dura cerca de 29 dias e meio e a primeira lua cheia deste mês aconteceu logo no dia 1º de maio, houve tempo hábil para que o fenômeno se repetisse antes da virada do mês.
O efeito inverso da Superlua
Além de ser a segunda do mês, esta lua cheia será uma microlua, conceito que representa o oposto da popular superlua. O fenômeno decorre do fato de a órbita lunar não ser um círculo perfeito, mas sim uma elipse. Neste fim de semana, o satélite atingirá o apogeu, que é o ponto de sua órbita mais distante do nosso planeta, localizando-se a aproximadamente 406 mil quilômetros da Terra.
Em razão dessa distância máxima, o astro parecerá ligeiramente menor e menos intenso. De acordo com o astrônomo Gianluca Masi, do Projeto Telescópio Virtual, a Lua parecerá cerca de 6% menor e 10% menos brilhante do que uma lua cheia convencional. Quando comparada diretamente a uma superlua, a redução pode chegar a 12% no tamanho e até 25% na luminosidade.
Encontro celeste e ocultação estelar
Outro grande atrativo da noite será a proximidade aparente entre o satélite e Antares, a estrela mais brilhante da constelação de Escorpião, famosa por seu forte tom avermelhado que contrastará com o brilho lunar. No Hemisfério Norte, ambos aparecerão lado a lado no firmamento. Já no Hemisfério Sul, o público de países como Argentina e Chile terá o privilégio de presenciar um evento ainda mais específico, pois a Lua irá ocultar temporariamente a estrela ao passar diante dela.
A percepção visual dessas mudanças, contudo, desafia os limites do olho humano. O astrônomo Gabriel Hickel, professor da Universidade Federal de Itajubá e parceiro do Observatório Nacional, esclarece que a maioria das pessoas notará apenas uma lua cheia normal. Isso ocorre porque o cérebro humano depende de comparações instantâneas e, sem a presença simultânea de uma superlua no céu para confrontar as dimensões, a diferença sutil de tamanho e brilho passa despercebida.
Dicas para observação e registros
Para quem deseja apreciar ou fotografar o evento, a recomendação dos especialistas é iniciar a observação logo no começo da noite de sábado, assim que a Lua surgir no horizonte. Este momento é favorecido pela chamada “ilusão lunar”, um efeito óptico que faz o satélite parecer muito maior quando contrastado com elementos da paisagem terrestre, como prédios e árvores.
Os astrônomos sugerem a busca por locais com horizonte aberto e sem barreiras visuais para garantir uma boa experiência. Para registrar o momento com o celular, a orientação técnica é ajustar a exposição da câmera manualmente para reduzir a entrada de luz, evitando que o brilho excessivo do astro apague os detalhes da superfície lunar na imagem. Quem preferir uma visão mais detalhada ou estiver enfrentando condições meteorológicas desfavoráveis poderá acompanhar a transmissão ao vivo promovida pela internet pelo Projeto Telescópio Virtual. A última Lua Azul ocorreu em 2023 e, após este final de semana, a próxima oportunidade para presenciar o fenômeno será apenas no dia 31 de dezembro de 2028.