Acordo de cessar-fogo entre EUA e Irã é costurado, mas depende do sinal verde de Trump e Khamenei

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As negociações para uma trégua de 60 dias entre os Estados Unidos e o Irã encontraram um grande obstáculo na liderança máxima de ambos os países. Segundo informações obtidas pelo The Jerusalem Post, o líder iraniano Mojtaba Khamenei não aprovou a minuta do memorando de entendimento, o que levou o presidente americano Donald Trump a também reter o seu consentimento. Embora equipes técnicas e diplomatas de escalões inferiores tenham avançado nas conversas, o martelo ainda não foi batido pelas autoridades soberanas.

A notícia do impasse surge logo após o portal Axios divulgar que os negociadores dos dois países haviam chegado a um pré-acordo para estender o cessar-fogo em vigor. A proposta inicial prevê uma janela de dois meses para congelar as hostilidades e abrir espaço para debates mais profundos sobre o polêmico programa nuclear do Irã. No entanto, fontes diplomáticas americanas reforçam que o progresso alcançado em mesas de negociação perde o efeito sem o aval final de Trump e Khamenei.

Divergências de bastidores e o papel do Paquistão

Nos bastidores da diplomacia, aponta-se que nomes como o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, e o presidente do Parlamento, Mohammad-Bagher Ghalibaf, alcançaram um alinhamento direto com o enviado especial dos EUA, Steve Witkoff. Apesar dessa sinergia entre os mediadores, a cúpula do governo em Teerã segue resistente em formalizar o cessar-fogo imediatamente.

Por outro lado, os canais oficiais do Irã adotam uma postura de cautela e negação. A agência de notícias estatal semioficial Tasnim contestou as informações de que o texto estaria pronto e apenas aguardando assinaturas. De acordo com fontes ligadas aos negociadores iranianos ouvidas pela agência, qualquer rascunho definitivo de acordo passará primeiro pelo crivo de mediadores paquistaneses antes de vir a público de forma oficial.

Urânio e segurança nuclear no centro do acordo

O cerne do memorando de entendimento de 60 dias envolve concessões severas sobre as ambições nucleares da República Islâmica. Autoridades americanas revelaram que o documento exige um compromisso formal do Irã de interromper o desenvolvimento de armas atômicas. Além disso, a prioridade absoluta estipulada para o período de trégua será a remoção do urânio enriquecido atualmente em solo iraniano, neutralizando os riscos de uma escalada militar na região.

Os termos da cooperação estavam praticamente fechados desde o início da semana, restando apenas o sinal verde de Teerã e Washington. Relatos indicam que, enquanto a equipe iraniana sinalizava ter recebido autorização interna para assinar, o presidente Donald Trump solicitou um prazo de alguns dias para analisar detalhadamente as implicações do acordo antes de tomar sua decisão final.

Livre circulação nas águas do Estreito de Ormuz

Além das garantias nucleares, o pacto proposto estabelece diretrizes rígidas para a segurança marítima global. O texto prevê que o trânsito e a navegação pelo Estreito de Ormuz operem de forma totalmente irrestrita. O Irã ficaria proibido de cobrar pedágios de navios comerciais ou promover qualquer tipo de assédio a embarcações estrangeiras que cruzam a região geopoliticamente estratégica.

Para assegurar o cumprimento dessas metas, o Irã teria o prazo de 30 dias para remover todas as minas navais instaladas no estreito. Em contrapartida, os Estados Unidos se comprometeram a suspender o bloqueio naval na área assim que o fluxo seguro do comércio marítimo for restabelecido de maneira comprovada.

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