Corrida presidencial indica disputa voto a voto em eventual segundo turno, aponta novo levantamento
O cenário político para a sucessão presidencial aponta a liderança do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas principais simulações eleitorais. De acordo com o mais recente levantamento da Indexa, divulgado nesta quarta-feira (27), o atual mandatário aparece com 39% das intenções de voto no cenário estimulado de primeiro turno. O senador Flávio Bolsonaro (PL-SP) surge como o principal adversário, registrando 30% da preferência do eleitorado.
A vantagem do petista, contudo, sofre um estreitamento importante quando projetada em uma disputa de segundo turno. Nesse embate direto, Lula alcança 46% das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro sobe para 41%, configurando um desenho de polarização apertada para a fase decisiva do pleito. A pesquisa ouviu 2.000 eleitores entre os dias 22 e 24 de maio, apresentando margem de erro de 2,2 pontos percentuais e nível de confiança de 95%.
Fidelidade do eleitorado e impacto de denúncias
Os dados da Indexa também revelam um eleitorado com posições fortemente consolidadas e pouca disposição para mudanças de última hora. O nível de fidelidade é especialmente alto entre os apoiadores do atual presidente, grupo no qual 83% dos entrevistados declaram que pretendem manter a escolha até o dia da votação. Do lado de Flávio Bolsonaro, o índice de decisão definitiva também é expressivo, atingindo 74% de seus eleitores.
Essa rigidez no comportamento do eleitor ajuda a explicar a resiliência do senador frente ao recente escândalo envolvendo áudios com o banqueiro Daniel Vorcaro. A denúncia, trazida a público pelo site Intercept Brasil, aponta supostas negociações de pelo menos R$ 61 milhões, entre fevereiro e maio de 2025, para o financiamento de um documentário sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Embora 78% dos entrevistados tenham conhecimento do caso e 48% acreditem na existência de relações escusas entre os envolvidos, o impacto político direto na candidatura de Flávio foi limitado. A opinião pública se mostra dividida sobre o futuro do parlamentar: 40% avaliam que ele deve seguir na corrida presidencial, enquanto 38% defendem que ele deveria desistir da disputa.
Testes com Michelle Bolsonaro e o favoritismo da oposição sem Lula
A pesquisa Indexa testou ainda o desempenho da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) como alternativa da oposição. No primeiro turno, ela aparece com 25% das intenções de voto, atrás de Lula, que pontua 40%. Em um eventual segundo turno entre ambos, o atual presidente venceria por 48% a 40%, repetindo a mesma diferença de oito pontos observada no confronto contra Flávio.
Por outro lado, o cenário muda drasticamente quando o nome de Lula é retirado das simulações. Sem a figura do chefe do Executivo, os principais nomes associados ao governo perdem o favoritismo para o candidato do PL. Em um cenário de primeiro turno contra o vice-presidente Geraldo Alckmin, Flávio Bolsonaro lidera por 32% a 21%. Se o candidato governista for o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, o senador registra 30% contra 23% do ministro.
Essa tendência de vitória da oposição sem a presença de Lula se confirma nas projeções de segundo turno. Flávio Bolsonaro superaria Alckmin por um placar de 40% a 35% e, em um embate contra Haddad, o senador venceria por 40% a 36%, consolidando a dependência do bloco governista da liderança do atual presidente.