Efeito Vorcaro? nova pesquisa mostra que áudios vazados não abalaram votos de Flávio Bolsonaro; veja números
Uma nova pesquisa de intenção de voto realizada pelo instituto BTG Pactual/Nexus, divulgada nesta segunda-feira (25), aponta o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na liderança da corrida presidencial com 40% das intenções de voto no primeiro turno. O senador Flávio Bolsonaro (PL) aparece em segundo lugar, registrando 35%. O levantamento mostra uma oscilação negativa de apenas um ponto percentual para ambos os candidatos em comparação com a rodada de abril, sinalizando que a recente divulgação de áudios envolvendo o parlamentar e o banqueiro Daniel Vorcaro não abalou sua pré-candidatura.
Na terceira posição, o ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), soma 5% das intenções de voto. Ele se encontra em situação de empate técnico com os demais concorrentes: o ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), que atinge 4%; Renan Santos (Missão), com 3%; e o ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa (DC), que pontua 2%.
A pesquisa consultou 2.045 eleitores entre os dias 22 e 24 de maio. O estudo apresenta uma margem de erro de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, e um nível de confiança de 95%. O levantamento está oficialmente registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo BR-04193/2026.
Cenários de segundo turno e migração de votos da direita
Nas simulações de segundo turno, o embate mais competitivo ocorre justamente entre Lula e Flávio Bolsonaro, com o atual presidente liderando por 47% a 43%. A diferença de quatro pontos coloca os adversários em empate técnico no limite da margem de erro, mostrando um leve distanciamento em relação ao mês anterior, quando a vantagem de Lula era de apenas um ponto. Nos demais cenários testados, o petista abre seis pontos de vantagem contra Ronaldo Caiado (46% a 40%) e expande a distância para 11 pontos quando o oponente é Romeu Zema (49% a 38%).
Os dados também revelam que a transferência de votos entre os candidatos de direita em um eventual segundo turno não ocorrerá de forma automática. Enquanto os eleitores de Zema demonstram maior fidelidade ao bloco — com três em cada quatro afirmando que migrariam para Flávio Bolsonaro —, a base de Ronaldo Caiado se divide de forma quase idêntica: 36% apoiariam o senador do PL, 31% escolheriam a reeleição de Lula e outros 31% optariam por votar em branco, nulo ou se declararam indecisos.
Impacto do caso Daniel Vorcaro na imagem do senador
O instituto também investigou a repercussão do caso envolvendo as mensagens de voz trocadas entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, que está preso pela Polícia Federal desde março. A ampla maioria dos entrevistados — cerca de 80% — afirmou ter conhecimento sobre os áudios e sobre a visita que o senador fez ao banqueiro no fim de 2025, período em que Vorcaro cumpria medidas restritivas após ser liberado da prisão preventiva na Operação Compliance Zero, que investiga fraudes na instituição financeira.
Apesar do forte desgaste público do episódio, o eleitorado consolidado de Flávio Bolsonaro demonstrou forte resiliência. Entre os que declaram voto no parlamentar, 89% garantem que mantiveram o apoio mesmo após as revelações. Curiosamente, 6% dos entrevistados afirmaram que decidiram votar no pré-candidato do PL justamente após a ampla divulgação do caso na mídia.
Medidas econômicas e apelo popular do governo federal
No campo da economia, a pesquisa avaliou a percepção popular sobre as iniciativas recentes da gestão petista, com destaque para a isenção tributária sobre compras internacionais (popularmente chamada de “taxa das blusinhas”) e a nova fase do programa de renegociação de dívidas, o Desenrola 2.0. Ambas as medidas contam com forte recall e aprovação por parte da população brasileira.
A decisão do governo federal de zerar o imposto de importação sobre essas compras foi considerada correta por 73% dos entrevistados. O programa Desenrola 2.0 registrou o mesmo índice de conhecimento público (73%). Além disso, a iniciativa de quitação de débitos demonstra fôlego prático: 36% dos ouvidos afirmaram que já utilizaram o programa para renegociar suas pendências financeiras (6%) ou têm a intenção de fazê-lo em breve (30%).