Ameaça invisível: OMS investiga origem de surto que paralisou cruzeiro na costa da África

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A Organização Mundial da Saúde (OMS) monitora de perto um surto de hantavírus ocorrido no navio de expedição MV Hondius, que atualmente se encontra na costa de Cabo Verde. Em comunicado emitido nesta terça-feira em Genebra, a Dra. Maria Van Kerkhove, chefe de Preparação e Prevenção de Epidemias e Pandemias da entidade, afirmou que a principal hipótese é de que as vítimas tenham contraído o vírus antes mesmo do embarque.

Embora a transmissão de pessoa para pessoa seja considerada rara, a Dra. Van Kerkhove ressaltou que essa possibilidade ainda não pode ser totalmente descartada pelas autoridades sanitárias enquanto as investigações prosseguem. O navio de bandeira holandesa transporta 147 pessoas e, até o momento, o balanço oficial da OMS registra dois casos confirmados e cinco suspeitos. O surto já resultou em três mortes, além de um paciente em estado crítico e outros três com sintomas leves.

Origem da infecção e período de incubação

A análise preliminar da OMS baseia-se no ciclo biológico do vírus. Como o período de incubação do hantavírus varia de uma a seis semanas, a organização presume que o contágio ocorreu em terra firme. O MV Hondius é uma embarcação de expedição voltada para o turismo ecológico, cujos passageiros realizaram atividades de observação de aves e vida selvagem em diversas ilhas na costa da África.

Segundo a Dra. Van Kerkhove, o itinerário incluiu paradas em locais com alta densidade de roedores, que são os hospedeiros naturais do vírus. O contato com excrementos ou urina desses animais em áreas silvestres é apontado como a provável fonte de infecção para o grupo de viajantes.

Protocolos de segurança e destino das Ilhas Canárias

Com o encerramento das atividades em Cabo Verde, o plano logístico prevê que o navio siga viagem em direção às Ilhas Canárias. Passageiros que apresentam boas condições de saúde permanecerão a bordo, enquanto as duas pessoas que ainda manifestam sintomas da doença serão evacuadas para tratamento especializado.

A chegada ao território espanhol desencadeará um rigoroso protocolo de segurança sanitária. A OMS confirmou que está trabalhando em conjunto com o governo da Espanha para realizar uma investigação epidemiológica completa assim que a embarcação atracar. O procedimento incluirá a desinfecção total do navio e uma nova avaliação de risco para todos os tripulantes e passageiros remanescentes, garantindo que não haja novos focos de transmissão antes do desembarque final.

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