Tarcísio perde a paciência com Haddad, cita ‘vergonha’ e manda recado amargo sobre o futuro do PT
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), reagiu de forma incisiva às recentes críticas feitas pelo ex-ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), sobre a saúde financeira do estado paulista. Durante um evento de balanço do programa de infraestrutura “São Paulo Pra Toda Obra”, realizado nesta terça-feira (5), Tarcísio utilizou um tom combativo para desqualificar a autoridade de seu adversário político em temas fiscais, afirmando que o petista teria “quebrado o Brasil” e deixado um legado de endividamento e juros altos.
A troca de farpas marca um acirramento na polarização entre os dois líderes. O governador demonstrou indignação com os comentários de Haddad, sugerindo que o ex-ministro deveria ter “vergonha” de questionar a política fiscal de São Paulo diante dos indicadores econômicos nacionais. Para Tarcísio, a gestão federal atual é responsável por recordes de recuperações judiciais e pela manutenção de uma das maiores taxas de juros reais do mundo, fatores que, segundo ele, pesam contra o discurso da oposição.
Embate sobre o caixa paulista e a dívida pública
O estopim para a reação do governador foram declarações de Haddad ao portal Metrópoles, nas quais o petista classificou a atual administração paulista como a pior desde a década de 1990. O ex-ministro alegou que o estado enfrenta falta de caixa e que o mandato de Tarcísio só se sustentaria graças à renegociação da dívida estadual conduzida pelo Congresso e à privatização da Sabesp. Haddad argumentou que Tarcísio herdou um volume substancial de recursos da gestão anterior, mas que hoje a disponibilidade financeira seria crítica.
Em contrapartida, Tarcísio de Freitas rebateu os números, apontando que quem critica a saúde financeira de São Paulo é responsável por um aumento significativo na relação dívida/PIB do país. O governador defendeu suas medidas de ajuste e desestatização como necessárias para a manutenção dos investimentos e ironizou a postura de Haddad, afirmando que o ex-ministro “não trabalhou durante três anos” e agora recorre a ataques sem fundamento para se posicionar politicamente.
Cenário político e alinhamentos eleitorais
Além das questões econômicas, o embate também resvalou para a política externa e alianças eleitorais. Tarcísio minimizou as falas de Haddad que tentavam vinculá-lo a uma suposta submissão a Donald Trump, pontuando que o governo estadual não formula política externa. O governador aproveitou o palanque, recheado de prefeitos aliados e com a presença do prefeito da capital, Ricardo Nunes (MDB), para sinalizar que o grupo político do PT será “aposentado” nas urnas, reforçando seu apoio ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no cenário nacional.
O evento na sede do governo paulista transformou-se em um ato de unificação da base governista. Ricardo Nunes também endossou as críticas, focando no impacto do gasto trilionário com juros da dívida pública federal. A retórica adotada sinaliza que a economia e a eficiência administrativa serão os principais campos de batalha na disputa política entre o Palácio dos Bandeirantes e o Governo Federal ao longo do ano.