Ação no MPF mira Flávio e Malafaia: suposto uso de altar para campanha antecipada
O Ministério Público Federal (MPF) no Rio de Janeiro recebeu uma representação que solicita a investigação do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e do pastor Silas Malafaia. A denúncia, formulada pela associação Movimento Brasil Laico, aponta a suposta prática de propaganda eleitoral antecipada durante um culto religioso realizado no último domingo (3/5). Segundo a peça jurídica, o evento teria sido utilizado de forma irregular para promover pré-candidaturas antes do prazo permitido pela legislação, que estabelece o início oficial das campanhas apenas para o dia 16 de agosto.
A cerimônia ocorreu na Assembleia de Deus Vitória em Cristo, sob a liderança de Malafaia, e simbolizou um gesto de trégua entre o pastor e o parlamentar. Recentemente, a relação entre ambos enfrentou desgastes públicos após críticas de Malafaia sobre a condução de Flávio como herdeiro do capital político de Jair Bolsonaro. Durante o ato religioso, no entanto, o clima foi de alinhamento, com diversos nomes do Partido Liberal (PL) sendo chamados ao altar para receber orações e exposição direta diante dos fiéis, o que a entidade denunciante classifica como promoção eleitoral explícita.
Políticos mencionados e acusações de abuso
Além de Flávio Bolsonaro, a representação lista outros beneficiários da exposição mediática no templo. Entre eles figuram Douglas Ruas, pré-candidato ao governo fluminense; Sóstenes Cavalcante, que busca a reeleição na Câmara; Cláudio Castro, pré-candidato ao Senado; e Marcelo Crivella (Republicanos), que almeja uma vaga de deputado federal. O Movimento Brasil Laico argumenta que o episódio transformou o rito religioso em um verdadeiro comício antecipado, com declarações de apoio político e ataques de teor partidário ao governo federal.
O caso foi registrado no sistema do MPF na segunda-feira (4/5) e agora está sob análise da Procuradoria Regional Eleitoral. O procurador responsável poderá optar pela abertura de um inquérito, pelo arquivamento ou pelo acionamento direto da Justiça Eleitoral. Caso as irregularidades sejam comprovadas, os envolvidos podem enfrentar multas de até R$ 25 mil por propaganda antecipada. Em cenários mais graves, onde se identifique abuso de poder econômico ou religioso, a punição pode chegar à declaração de inelegibilidade por um período de oito anos.
Contexto eleitoral e falta de manifestação
A denúncia surge em um momento estratégico, enquanto Flávio Bolsonaro intensifica agendas com o eleitorado religioso visando o pleito de outubro, no qual deve polarizar a disputa com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Até o fechamento desta reportagem, as assessorias dos políticos citados e da liderança religiosa não enviaram posicionamentos oficiais sobre o protocolo da ação. O espaço para defesa e esclarecimentos junto aos órgãos competentes segue garantido conforme o trâmite processual.