Ministro Tofolli suspende investigação contra advogado ligado a Vorcaro, diz site
O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), proferiu uma decisão monocrática no final de setembro de 2025 que determinou o trancamento de uma investigação contra o advogado Daniel de Faria Jerônimo Leite. O procedimento, conduzido pelo Ministério Público do Maranhão (MPMA), apurava supostas irregularidades em contratos públicos. De acordo com informações publicadas pelo portal Metrópoles, o advogado é apontado como um braço estratégico nas operações do empresário Daniel Vorcaro.
Ausência de dolo em contrato com a Câmara de Imperatriz
O foco da apuração interrompida era um contrato firmado entre o escritório de Leite e a Câmara Municipal de Imperatriz, no valor de R$ 180 mil anuais. A suspeita de improbidade administrativa surgiu após o acordo, iniciado em 2023, ser renovado em abril de 2025 sem a realização de um novo processo licitatório. No entanto, ao avaliar o caso, Toffoli argumentou que a acusação carecia de “lastro mínimo” e reiterou o entendimento jurídico de que não há improbidade sem a comprovação de dolo, ou seja, da intenção deliberada de cometer o ato ilícito.
Histórico de Toffoli e a saída da relatoria do Banco Master
A decisão ocorre em um contexto de histórico recente entre o ministro e o grupo empresarial envolvido. Toffoli foi o relator original das investigações sobre o Banco Master no STF, mas se afastou da condução do processo em fevereiro de 2025. O recuo aconteceu após a revelação de vínculos comerciais entre o magistrado e Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, relacionados ao Resort Tayayá. Segundo o Metrópoles, o estabelecimento mantinha operações de cassino clandestino com mesas de jogos e máquinas caça-níqueis. O ministro não se manifestou ao ser questionado pela reportagem.
Investigações da consultoria Kroll, utilizadas em um processo movido pelo Banco de Brasília (BRB) contra Vorcaro, classificam Daniel Leite como uma “figura instrumental” a serviço do empresário e de outros associados, como Maurício Quadrado e João Carlos Mansur. Os dados apontam que, em abril de 2025, o advogado teria tomado um empréstimo de expressivos R$ 93,7 milhões, utilizando o montante majoritariamente para a aquisição de ações do próprio BRB por meio de fundos de investimento.
A operação financeira gerou questionamentos por parte do BRB, que apontou uma incompatibilidade entre o crédito obtido e a realidade financeira de Leite, cujo patrimônio era estimado em R$ 6 milhões. Em contrapartida, o advogado contesta esses números e sustenta possuir bens que totalizam R$ 75 milhões. Para justificar tamanha evolução e volume de capital, ele declarou que sua renda provém não apenas da advocacia, mas também de uma empresa agropecuária de sua propriedade localizada no estado do Maranhão.