Planalto vê “união” entre ala do STF e Alcolumbre para barrar Messias; entenda o bastidor da derrota
O Palácio do Planalto enfrenta uma de suas crises políticas mais agudas após a rejeição histórica de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF). Por um placar de 42 votos a 34, o Senado barrou o nome indicado pelo presidente Lula, expondo uma fratura exposta entre o Executivo e o Legislativo. O governo trabalha com o diagnóstico de que uma ala da própria Suprema Corte uniu forças a Davi Alcolumbre (União-AP) para inviabilizar o nome do Advogado-Geral da União. O revés não apenas enfraquece a base governista, mas também impulsiona a oposição para o próximo pleito presidencial.
Nos corredores do Alvorada, o clima é de desconfiança mútua. Auxiliares presidenciais sugerem que os ministros Alexandre de Moraes e Flávio Dino teriam atuado silenciosamente para desidratar o apoio a Messias. Embora ambos neguem qualquer envolvimento — com Moraes desafiando críticos a apresentarem provas de suas ligações a senadores —, o Planalto acredita que a postura de Messias durante a sabatina selou seu destino. Ao criticar a perpetuidade do “inquérito das fake news” e buscar votos entre bolsonaristas ao lado de André Mendonça, o indicado acabou se indispondo com o grupo que sustenta as atuais ações de rigor judiciário no tribunal.
Messias como o “fiel da balança” e a reação de Moraes
A entrada de Messias era vista estrategicamente como uma forma de alterar o equilíbrio de forças no STF, especialmente em temas sensíveis como o novo código de ética da Corte. Suas declarações contra o que chamou de “processo penal de vingança” foram interpretadas como uma afronta direta à condução de Alexandre de Moraes. Em uma resposta velada, poucas horas após a fala de Messias, Moraes defendeu publicamente a continuidade das investigações sobre os atos golpistas de 8 de janeiro, reafirmando que a manutenção dos inquéritos é vital para combater organizações criminosas que ameaçam a democracia.
Lula em retaliação e a paralisia das indicações
Irritado com o que classifica como “traição” da base aliada — que recebeu emendas e cargos em agências reguladoras, mas não entregou os votos —, o presidente Lula decidiu que não indicará um novo nome para o STF de imediato. A derrota é considerada a mais humilhante desde o governo de Floriano Peixoto, há mais de 130 anos. Somado a isso, Davi Alcolumbre já sinalizou que não pretende pautar nenhuma outra indicação antes das eleições, travando a renovação da Corte e consolidando sua posição de adversário direto do Planalto.
Enquanto o governo tenta estancar a sangria, a oposição celebra o fortalecimento do senador Flávio Bolsonaro (PL), principal antagonista de Lula na corrida eleitoral. A crise deve se agravar com a iminente derrubada do veto presidencial ao projeto que reduz penas para os condenados pelo 8 de janeiro. Analistas e parlamentares apontam que o governo subestimou a ambição de Alcolumbre, que desejava emplacar Rodrigo Pacheco na vaga, e errou ao acreditar que concessões fisiológicas seriam suficientes para garantir a fidelidade de um Senado cada vez mais independente e conflagrado.