Carla Zambelli joga última carta na Itália para evitar extradição e prisão no Brasil
A defesa da ex-deputada Carla Zambelli apresentou, nesta sexta-feira (10), um recurso formal para tentar barrar a extradição da brasileira para o país. A medida ocorre após a Corte de Apelações da Itália — última instância do Judiciário local — acatar, no fim de março, o pedido de envio da parlamentar ao Brasil, formulado pelo Supremo Tribunal Federal (STF). O advogado Pieremilio Sammarco confirmou a movimentação jurídica, que representa a última tentativa antes que o processo seja submetido à decisão final do governo italiano.
Em nota oficial, os advogados de Zambelli reiteram críticas ao sistema carcerário brasileiro e à condução processual do ministro Alexandre de Moraes, relator do caso no STF. A defesa sustenta que o crime de invasão de sistemas digitais, pelo qual a ex-deputada foi condenada, não possui equivalência direta na legislação italiana, o que invalidaria o requisito de “dupla tipicidade” necessário para a extradição. Além disso, os representantes questionam a legitimidade da autoridade brasileira que formalizou o pedido à época.
Histórico da fuga e prisão em Roma
Considerada foragida pela Justiça brasileira, Carla Zambelli deixou o Brasil em maio do ano passado via fronteira com a Argentina, passando pelos Estados Unidos antes de chegar à Europa. Por possuir cidadania italiana, a ex-deputada buscou refúgio no país, mas acabou detida em Roma no dia 29 de julho de 2025. Atualmente, ela permanece custodiada em uma unidade prisional nos arredores da capital italiana, destinada a regimes de média e alta segurança, sob o argumento das autoridades locais de que há risco iminente de fuga.
Condenação e tratados internacionais
A ex-parlamentar foi condenada pelo STF a uma pena de 10 anos de prisão pela invasão dos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). O imbróglio jurídico envolve ainda a cassação de seu mandato pelo Supremo em dezembro, decidida à revelia de um entendimento anterior da Câmara dos Deputados. O processo de extradição é fundamentado em um tratado recíproco firmado entre Brasil e Itália em 1993, que obriga as nações a entregarem indivíduos procurados para o cumprimento de penas restritivas de liberdade.